Violência contra idosos em MT cresce 226% em 10 anos, alerta sociedade
Segundo dados do Atlas da Violência, as notificações de violência nos serviços de saúde saltaram de 59 em 2014 para 174 em 2024, evidenciando um grave problema social que requer atenção imediata.
A campanha ‘Junho Violeta’, voltada para a proteção dos idosos, ganha relevância em Mato Grosso, onde os casos de violência contra esta população quase triplicaram na última década.
Segundo dados do Atlas da Violência, as notificações de violência nos serviços de saúde saltaram de 59 em 2014 para 174 em 2024, evidenciando um grave problema social que requer atenção imediata.
Esse aumento alarmante reflete tanto o envelhecimento acelerado da população, conforme a transição demográfica do IBGE, quanto a atuação mais eficaz da rede de saúde na notificação de casos pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Dados indicam um isolamento social severo entre os idosos, com uma média de 59 notificações anuais entre 2014 e 2015, que aumentou para 63 durante o auge da pandemia em 2020, situação que forçou muitas vítimas a conviverem com seus agressores longe do apoio necessário.
Na capital, a rede socioassistencial do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) observa diariamente os impactos desta realidade. A secretária municipal de Assistência Social, Hélida Vilela de Oliveira, ressalta que muitos idosos chegam aos serviços em situações de fragilidade, sem vínculo familiar e sem os cuidados necessários. As ações do município são divididas entre prevenção de riscos e atendimento especializado às violações já instauradas.
Em 2026, Cuiabá registrou 189 idosos nos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) e 1.104 participantes nos Centros de Convivência para Idosos (CCI).
Hélida afirma que a convivência comunitária serve como uma proteção eficiente contra a violência, permitindo a identificação precoce de sinais de abuso e abandono.
Quando as violações ocorrem, muitos casos são encaminhados à Proteção Social Especial de Média Complexidade, com dados alarmantes: 92,9% dos idosos acompanhados pelo Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI) em Cuiabá enfrentam negligência ou abandono, enquanto 7,1% relatam violência intrafamiliar.
Além da violência direta, há um aspecto estrutural que contribui para a vulnerabilidade dos idosos, como a perda de autonomia e a falta de suporte familiar. Um levantamento feito pela rede municipal aponta que, entre os idosos aguardando vaga em Instituições de Longa Permanência, 62,5% têm autonomia parcial, 14,8% estão acamados e 22,7% possuem autonomia total. A situação habitacional desses indivíduos também é preocupante, com 44% vivendo com familiares que não oferecem a proteção necessária.
Nos casos mais críticos, a Alta Complexidade garante acolhimento institucional. No primeiro trimestre de 2026, Cuiabá registrou 193 acolhimentos em unidades para adultos e famílias, além de parcerias com instituições de longa permanência, como o Abrigo Bom Jesus. A presidente da fundação, Márcia Ferreira, destaca que quase todos os idosos acolhidos são vítimas de abandono, evidenciando uma violência que vai além do familiar.
Márcia aponta também os impactos da violência financeira, com idosos endividados devido a empréstimos consignados realizados sem seu consentimento. A questão da falta de recursos públicos para o atendimento aos idosos também preocupa, com mais de R$ 5 milhões parados devido à morosidade na liberação de editais.
Diante desse cenário, romper a barreira da subnotificação se torna crucial. O Junho Violeta reforça que envelhecer com dignidade e autonomia é um direito humano essencial. Portanto, cabe a toda a sociedade responsabilizar-se na proteção desta população vulnerável. O contato imediato com canais de denúncia, como o Disque 100 e os serviços da rede de assistência social, deve ser incentivado para combater os ciclos de violência.
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