UFMT reduz tarifas e se destaca por refeições mais acessíveis

A medida abrange todos os campus do Estado e destaca-se em um contexto nacional de variação de preços.

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) anunciou uma redução significativa nas tarifas do Restaurante Universitário (RU), estabelecendo novos valores de R$ 1,50 para almoço e jantar e R$ 0,50 para o café da manhã, a partir de 1º de abril.

A medida abrange todos os campus do Estado e destaca-se em um contexto nacional de variação de preços.

Um levantamento do portal Poder 360 de 2025 revela que o preço médio do almoço nas universidades federais brasileiras é de aproximadamente R$ 3,75, com valores que variam de R$ 0,80 a mais de R$ 15,00, dependendo da instituição. Com a nova tarifa, a UFMT permanece abaixo da média nacional.

Atualmente, a Universidade Federal Fluminense (UFF) possui a refeição principal mais barata, custando R$ 0,70. Contudo, a UFMT lidera nas tarifas de café da manhã, com o valor de R$ 0,50. Essa diferença de preços entre as instituições destaca diferentes realidades de gestão e orçamento, onde algumas priorizam subsídios enquanto outras enfrentam altos custos. A UFMS, por exemplo, cobra R$ 15,00 por refeição, considerando tanto alunos quanto visitantes, e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) apresenta o maior preço do país, ultrapassando a UFMS em um centavo.

Kauã Almeida dos Anjos, 22 anos, estudante de Geografia e representante discente no Conselho Universitário, observa que essa conquista é resultado de uma mobilização histórica. “Essa luta não é de agora. A UFMT torna-se um exemplo, pois falar de alimentação é falar de permanência estudantil. É um padrão que outras universidades deveriam seguir para garantir que os estudantes concluam seus cursos”, afirma.

A redução tarifária foi recebida positivamente por muitos estudantes que utilizam o RU diariamente, representando um alívio financeiro importante em seus orçamentos. Lídia Raquel Araujo Pereira, 23 anos, pós-graduanda em Estudos de Cultura Contemporânea, relata que suas despesas com alimentação durante a graduação eram quase R$ 1.000,00, e menciona que agora, na pós-graduação, gasta metade desse valor. Da mesma forma, João Pedro Kiedzerski Silva, 20 anos, estudante de Engenharia Elétrica, estima uma economia de pelo menos R$ 40,00 mensais devido à nova tarifa.

Entretanto, a implementação da medida trouxe à tona questões estruturais, com um aumento na demanda que resultou em superlotação, especialmente nos horários de pico. Emanuel Dominic de Paula Oliveira, 21 anos, conselheiro do Consepe (Cuiabá), frisa que a solução para a superlotação requer investimentos em infraestrutura. “Para resolver a superlotação, é necessária uma ampliação do espaço, o que dependeria de emendas parlamentares, dado o orçamento limitado da instituição”, explica. Ele menciona ainda a necessidade de um planejamento que não comprometa o serviço e ressalta outras demandas, como o auxílio-transporte para estudantes da região metropolitana, ainda não debatidas.

Apesar dos desafios logísticos, a política de preços da UFMT representa um avanço significativo na assistência estudantil. Ao reduzir o custo de vida acadêmica, a instituição promove um modelo de ensino superior mais inclusivo, visando diminuir a evasão e apoiar os estudantes em sua trajetória formativa.