GAECO faz operação e mira líderes que comandavam crimes de dentro de presídio em Sinop

As ações visaram desarticular integrantes que exercem funções de comando e que, segundo as apurações, continuavam a ordenar delitos mesmo após a custódia de membros da facção.

A operação salve geral sinop, deflagrada pelo GAECO, teve como objetivo desarticular lideranças de uma organização criminosa que ordenavam crimes violentos em Sinop e região, inclusive a partir do Presídio Ferrugem.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) cumpriu, nesta fase da investigação, oito mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão em bairros de Sinop e na unidade prisional Ferrugem.

As ações visaram desarticular integrantes que exercem funções de comando e que, segundo as apurações, continuavam a ordenar delitos mesmo após a custódia de membros da facção.

Como a investigação evoluiu

Segundo o delegado Getúlio Daniel, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a investigação é um desdobramento de operações realizadas no ano anterior. As apurações identificaram membros da facção responsáveis por emitir ordens que resultaram em crimes graves, entre eles dois latrocínios registrados em Sinop e em Vera.

Foco nas lideranças, não apenas nos executores

O delegado ressaltou a importância de prender quem determina as ações criminosas: “Além dos executores, é muito importante frisarmos a importância de prendermos aqueles que determinam, que mandam, os mandantes desses crimes”. A operação buscou, entre outros objetivos, apreender aparelhos eletrônicos usados para comandar atividades ilícitas de dentro do presídio.

Alvos, áreas de atuação e materiais apreendidos

As diligências ocorreram nos bairros Camping Clube e Alto da Glória — locais onde os investigados exerciam influência — e na Penitenciária Ferrugem. As investigações apontaram que os alvos ocupavam a função conhecida como “disciplina”, associada à prática de torturas (conhecidas como “salve”), extorsões a comerciantes, tráfico de drogas, participação em organização criminosa e lavagem de capitais.

  • Mandados cumpridos: oito de busca e apreensão e dois de prisão.
  • Locais: bairros Camping Clube e Alto da Glória e Presídio Ferrugem.
  • Apreensões: drogas, cestas básicas, celulares e uma arma de fogo.

Preocupação com ordens emanadas do sistema prisional

As forças de segurança manifestaram preocupação com a continuidade da coordenação de crimes a partir do interior de unidades prisionais. “Infelizmente a gente tem notado que algumas ordens têm sido emanadas de dentro do presídio. Então, nós temos essa preocupação”, afirmou Getúlio Daniel, apontando que a retirada de aparelhos eletrônicos é essencial para interromper a atuação remota das lideranças.

Responsabilização de servidores e condutas internas

Questionado sobre a entrada de celulares e drogas na unidade prisional, o delegado afirmou que qualquer servidor envolvido com organizações criminosas será responsabilizado. Ele lembrou a prisão, no ano passado, de um policial penal por envolvimento com práticas desse tipo, mas reforçou que o episódio não caracteriza o comportamento da maioria dos servidores, que são descritos como “honestos” e dedicados.

Força-tarefa e próximos passos

O GAECO é uma força-tarefa permanente que integra membros do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e do Sistema Socioeducativo. As atividades no Presídio Ferrugem continuam em andamento devido à complexidade da operação e à necessidade de aprofundamento das diligências.

Conclusão e desdobramentos

A operação salve geral sinop representa uma nova etapa nas investigações contra estruturas criminosas que commandam delitos a partir de dentro do sistema prisional. A medida busca romper cadeias de comando e reduzir a capacidade de ação da facção na cidade e em municípios vizinhos. O andamento das apurações deve apontar responsabilidades, possíveis prisões adicionais e medidas para evitar a entrada de aparelhos e ilícitos nas unidades prisionais.