STF autoriza investigação da PF contra segundo ministro do STJ
Esta é a segunda investigação autorizada por Zanin contra integrantes do STJ: ele também permitiu a apuração contra o ministro Moura Ribeiro. Ambos os inquéritos correm em sigilo.
O Supremo Tribunal Federal autorizou a Polícia Federal a abrir uma investigação contra ministro do stj relacionada a suspeitas de venda de decisões judiciais, com menções a familiares e inquéritos que tramitam sob sigilo um desdobramento que amplia o alcance da Operação Sisamnes.
O que foi autorizado

O ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou a investigação da Polícia Federal sobre o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), após informações reunidas no âmbito da Operação Sisamnes.
Esta é a segunda investigação autorizada por Zanin contra integrantes do STJ: ele também permitiu a apuração contra o ministro Moura Ribeiro. Ambos os inquéritos correm em sigilo.
Como a investigação chegou ao STF
A autorização decorre de relatório da Polícia Federal que, segundo apuração inicial do jornal O Globo e confirmação da Folha de S.Paulo, registra menções a familiares de Buzzi em material colhido na Operação Sisamnes. A operação investiga, desde novembro de 2024, um suposto esquema de venda de sentenças no STJ atribuído ao lobista Andreson Gonçalves.
Indícios, alvos e grau de sigilo
A PF apontou que há referências a pessoas ligadas ao ministro Marco Buzzi em comunicações e documentos do inquérito. Em relatórios anteriores, houve citações à advogada Catarina Buzzi, filha do ministro; contudo, delegados assinaram posições divergentes sobre a existência de indícios específicos contra ela. As comunicações sobre esses pontos ainda constam em relatórios internos.
Posições da defesa e do próprio ministro
Procurado, o ministro Marco Buzzi afirmou em nota que “não tem relação com atividades de nenhum de seus familiares” e declarou desconhecer que figure como investigado. A defesa da advogada Catarina Buzzi, pelo advogado João Pedro Mello, classificou como “descabidas” tentativas de ligação entre a profissional e supostas irregularidades, citando relatório da PF que, segundo a defesa, afasta a hipótese de envolvimento.
Paralelamente, Buzzi responde a processo disciplinar no STJ e está afastado da corte desde 10 de fevereiro por acusações de importunação sexual e assédio apresentadas por duas denunciantes; ele nega as acusações e afirmou que provará sua inocência no curso dos procedimentos.
O caso de Moura Ribeiro e antecedentes
O primeiro magistrado do STJ alvo de investigação na mesma operação foi o ministro Moura Ribeiro. Nos autos constam alegações de decisões potencialmente relacionadas ao lobista Andreson de Oliveira Gonçalves e a sua esposa, além de menções a transferências de valores a um ex-funcionário que trabalhou no gabinete do ministro em 2019 e deixou o tribunal em 2021. Moura Ribeiro declarou desconhecer a existência de investigação sobre decisões por ele proferidas e afirmou sua trajetória de mais de quatro décadas no Judiciário.
Implicações e próximos passos
Com as autorizações do STF, a Polícia Federal poderá aprofundar diligências, ouvir testemunhas e reunir provas com os poderes formais de investigação. Os inquéritos tramitam sob sigilo, o que restringe detalhes públicos por ora. A tramitação no Supremo indica que as apurações sobre venda de decisões no STJ ganham centralidade institucional e poderão resultar em desdobramentos disciplinares e criminais conforme os elementos levantados.
A investigação contra ministro do stj segue, portanto, como um ponto de atenção para o Judiciário e para o acompanhamento jornalístico dos próximos atos processuais no STF e nas instâncias responsáveis pela apuração.
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