Mato Grosso registra alta de 11% nos feminicídios e atinge 3ª maior taxa do país
O resultado eleva a taxa de feminicídio no estado de 2,5 para 2,7 vítimas por 100 mil mulheres e posiciona Mato Grosso atrás apenas do Acre e de Rondônia no ranking nacional.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que feminicídios em mato grosso subiram 11% em 2025, elevando o estado à terceira maior taxa nacional e indicando avanço da violência de gênero mesmo com queda nos homicídios femininos totais.
Enquanto o total de homicídios de mulheres em Mato Grosso caiu 5,5% entre 2024 e 2025, os assassinatos motivados pela condição de gênero cresceram saltando de 47 para 53 casos.

O resultado eleva a taxa de feminicídio no estado de 2,5 para 2,7 vítimas por 100 mil mulheres e posiciona Mato Grosso atrás apenas do Acre e de Rondônia no ranking nacional.
O que mostram os dados
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 traz números que contrastam:
- Homicídios de mulheres em MT: 99 em 2024 para 95 em 2025 (queda de 5,5%).
- Feminicídios em MT: 47 em 2024 para 53 em 2025 (alta de 11%), representando 55,8% do total de homicídios de mulheres no estado.
- Taxa estadual: aumento de 2,5 para 2,7 vítimas por 100 mil mulheres.
- Contexto nacional: o Brasil registrou queda de 5,5% nos homicídios de mulheres no mesmo período, mas os feminicídios cresceram 4%, chegando a 1.571 vítimas.
Interpretação e preocupações
O percentual de 55,8% significa que, em Mato Grosso, mais da metade das mortes violentas de mulheres ocorreu em contexto de violência de gênero — índice superior à média nacional de 44,4%. Especialistas e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que a redução observada nos homicídios femininos está concentrada em crimes ligados à criminalidade urbana, enquanto mortes no âmbito doméstico e por companheiros ou ex-companheiros avançam.
Violências que precedem o feminicídio
O estudo reforça que o feminicídio costuma ser o desfecho de um padrão de violência. Em 2025, indicadores que antecedem o crime aumentaram em todo o país:
- Tentativas de feminicídio: subiram 5,9%, totalizando 4.189 casos — quase três tentativas para cada feminicídio consumado.
- Taxa de tentativas em MT: Mato Grosso teve a segunda maior taxa do país, com 12,5 tentativas por 100 mil mulheres, atrás somente do Amapá.
- Violência psicológica: o estado registrou aumento de 70,3% nessa modalidade, a segunda maior taxa nacional, evidenciando a escalada progressiva da agressão até o crime letal.
O quadro de risco
Os números apontam que centenas de mulheres em Mato Grosso vivem situações de risco extremo, sobrevivendo a episódios que poderiam culminar em homicídio por circunstâncias alheias à sua vontade. A persistência do aumento dos feminicídios indica que medidas reativas, tomadas apenas após o crime, não são suficientes.
O que precisa mudar
Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o enfrentamento exige ações integradas e permanentes: fortalecimento das políticas de prevenção, ampliação e fiscalização das medidas protetivas, proteção efetiva às mulheres em situação de risco e iniciativas para combater desigualdades de gênero. Sem intervenções estruturais e respostas rápidas às denúncias e tentativas, a tendência de alta dos feminicídios em Mato Grosso pode persistir.
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