Desemprego no Brasil atinge 6,1%
Esse aumento representa um salto em relação aos 5,1% registrados nos três últimos meses de 2025.
No primeiro trimestre de 2026, o índice de desemprego no Brasil subiu para 6,1%, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esse aumento representa um salto em relação aos 5,1% registrados nos três últimos meses de 2025.

Apesar da elevação, o percentual é o menor para o período de janeiro a março desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que começou em 2012. A pesquisa revelou que a renda média dos trabalhadores também cresceu, alcançando R$ 3,7 mil mensais.
As projeções do mercado financeiro, de acordo com a agência Bloomberg, já indicavam uma taxa de desemprego nessa faixa para o início de 2026.
A Pnad considera indivíduos a partir de 14 anos, englobando tanto trabalhadores formais quanto informais.
Historicamente, o primeiro trimestre apresenta alta nos índices de desemprego, resultado do fim de contratos temporários e da volta à busca por emprego.
Entre janeiro e março, o total de desempregados foi estimado em 6,6 milhões, um aumento de 19,6%, correspondente a mais 1,1 milhão de pessoas em relação ao final de 2025. Em contraste, quando comparado ao mesmo período do ano anterior, houve uma redução de 13%, com quase 1 milhão de desempregados a menos.
O número de pessoas ocupadas totalizou 102 milhões no primeiro trimestre de 2026, refletindo uma queda de 1% em relação ao trimestre anterior, mas um aumento de 1,5% em comparação com os três primeiros meses de 2025, resultando em 1,5 milhão de vagas a mais. Segundo a Pnad, setores como comércio, administração pública e serviços domésticos observaram as maiores perdas de emprego, com o comércio perdendo 287 mil postos de trabalho, seguido pela administração pública, que registrou 439 mil vagas a menos, e serviços domésticos, com uma redução de 148 mil empregos.
Além disso, a construção civil apresentou uma diminuição de 134 mil ocupações, e a indústria contabilizou 122 mil vagas a menos. A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, esclarece que esses setores costumam registrar baixa no início do ano.
No que diz respeito à renda, a média mensal de R$ 3,7 mil representa um incremento de 1,6% em relação ao trimestre anterior e crescimento de 5,5% sobre o mesmo período de 2025. Este valor é o maior já documentado na pesquisa, refletindo a soma dos rendimentos de trabalhadores em todo o país.
Embora o mercado de trabalho brasileiro esteja em um processo de recuperação, a alta dos juros continua a dificultar a geração de novas vagas. Analistas atribuem o número relativamente baixo de desemprego a fatores como crescimento econômico e políticas de incentivo do governo federal. O envelhecimento populacional e o aumento de oportunidades no setor de tecnologia também desempenham papéis significativos. Estudo do FGV Ibre estimou que o trabalho por meio de aplicativos ajudou a reduzir o desemprego em 1 ponto percentual no último ano.
O IBGE, no entanto, alerta para a diferença entre as taxas trimestrais que compartilham meses, como os dados até fevereiro e até março, e recomenda análise cautelosa ao comparar os números diretamente. Na metodologia oficial, considera-se desempregado quem tem 14 anos ou mais e está ativamente procurando trabalho, não bastando estar apenas sem emprego.
A Pnad Contínua é a ferramenta principal para monitorar o mercado de trabalho no Brasil, com cerca de 211 mil domicílios visitados a cada trimestre por aproximadamente 2 mil entrevistadores do IBGE.
Comentários estão fechados.