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O estranho fenômeno de pessoas que expressam raiva contra influenciadores

Esses episódios deram nome ao fenômeno e abriram um debate sobre por que muitas pessoas respondem com raiva ou ressentimento a posts que, em essência, relatam experiências individuais.

A chamada teoria da sopa de feijão descreve a reação desproporcional de usuários que atacam publicações de influenciadores por não considerarem exceções pessoais um comportamento amplificado por fatores psicológicos e algoritmos que moldam nossas bolhas online.

No TikTok e em outras plataformas, vídeos simples  como o de uma criadora chamada Kara mostrando uma sopa de feijão vegana para aumentar ferro durante o período menstrual  geraram tanto apoio quanto críticas centradas não no conteúdo, mas na sensação de exclusão: “E se eu não gostar de feijão?” ou “Posso substituir o feijão por outra coisa?”.

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Esses episódios deram nome ao fenômeno e abriram um debate sobre por que muitas pessoas respondem com raiva ou ressentimento a posts que, em essência, relatam experiências individuais.

Por que esse comportamento emergiu agora?

Especialistas consultados dizem que o fenômeno não é inteiramente novo, mas foi amplificado pelas redes sociais. A Dra. Jessica Maddox, professora associada de estudos de entretenimento e mídia na Universidade da Geórgia, afirma que as plataformas personalizadas e o individualismo cultural criam um ambiente em que “quando alguém vê algo com que não se identifica, sente que houve uma falha no sistema”.

Algoritmos, formato curto e expectativas

Criações em formato curto privilegiam mensagens rápidas e pouco nuançadas, o que reduz o espaço para exceções ou contextualizações. Criadores como Temilola Adeoye e Sarah Lockwood destacam que o público às vezes trata vídeos pontuais como um manual completo do autor — uma leitura errada que leva à frustração em vez de simples desinteresse.

Exemplos que explicam o fenômeno

Casos citados mostram diferentes faces do mesmo problema: Kara teve um vídeo de agosto de 2023 viralizado por comentários que originaram o termo popular “teoria da sopa de feijão”. Outra publicação, de uma mulher chamada Daisey, sobre rituais matinais com o marido, recebeu críticas por soar “privilegiada” e levou a autora a apagar o post. E a psicóloga clínica Micheline Maalouf, que compartilha estratégias para reduzir ataques de pânico, recebeu respostas apontando limitações de saúde — reações que, segundo ela, a surpreenderam e a fizeram evitar interações com esse tipo de comentário.

Fatores psicológicos

Psicólogos apontam que processamento egocêntrico, experiências de invalidação e emoções acumuladas podem transformar pequenas publicações em gatilhos. Maalouf observa que muitos comentadores já vivenciaram exclusão real na vida e, por isso, ficam vigilantes a qualquer sinal de falta de inclusão.

Implicações sociais e culturais

Além das motivações individuais, eventos recentes como a pandemia e os debates sociais que a acompanharam deixaram um legado de frustração e sentimento de invisibilidade em parcelas da população. Essa dinâmica faz com que algumas pessoas esperem que todas as postagens se alinhem a princípios de inclusão aplicáveis a contextos complexos, mesmo quando o conteúdo é uma experiência pessoal e pontual.

Quando a crítica vira espetáculo

Há ainda a presença de comportamentos narcisistas ou performáticos: usuários que buscam demonstrar virtude ou superioridade intelectualmente, corrigindo ou atacando sem considerar contexto. Adeoye lembra que a correção pedante é, muitas vezes, uma tentativa de validação social.

O que podem fazer criadores e leitores

Criadores dizem que a necessidade de suavizar mensagens e antecipar objeções consome energia cognitiva e prejudica a clareza da comunicação. Para leitores, especialistas recomendam checar o conteúdo integralmente, evitar pressupor intenções maliciosas e avaliar se a reação é dirigida a um autor ou às próprias frustrações pessoais.

Práticas sugeridas incluem limitar exposição a gatilhos (bloqueio de palavras-chave, silenciamento de contas), procurar suporte terapêutico quando necessário e refletir antes de comentar: “Assisti ao conteúdo por completo? Eu diria isso pessoalmente?”. Maalouf também recomenda terapias somáticas para quem reage de forma intensa, pois ajudam a reconhecer sinais físicos de estresse e a responder com mais ponderação.

Conclusão — o que fazer agora

Entender a teoria da sopa de feijão é, antes de tudo, reconhecer que muitas reações online decorrem de experiências reais de exclusão somadas a formatos de comunicação acelerados. Para tornar a internet menos hostil, especialistas recomendam cultivar empatia, verificar contexto e priorizar interações reais e diversas fora das bolhas digitais. Como lembra Maddox: “Seria entediante se todo mundo gostasse das mesmas coisas que você.”

 

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