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Filmes de Bollywood, lojas de saris, templos e curries

A loja de Kirti Sneldir é uma das mais concorridas do Queens Market, mercado que está tão longe de ser atração turística londrina quanto sua localização permite, nos confins de Upton Park, no Leste, a mais de meia hora de metrô do centro.

Lá ela vende de cartões de aniversário a vasos de flores, passando por potes cheios de quitutes fritos, sandálias indianas, rolinhos primavera chineses e pasteizinhos africanos dividem o mesmo pote, numa metáfora que cabe para explicar a diversidade do próprio mercado, e ainda com diversas músicas na qual sempre fica a dúvida que música é essa

Embarque em uma viagem pela Índia sem sair da capital inglesa

Açougues paquistaneses exibem retratos de Meca e Medina, enquanto os chineses ressaltam a frase “Temos porco” em letras garrafais, salões de cabeleireiro prometem visuais afro, asiáticos e ocidentais. Kirti, de 51 anos, é de família indiana, da região de Gujarat, norte do país, mas nasceu na Tanzânia e vive desde a década de 1980 na Inglaterra, os últimos cinco anos em Upton Park.

Filmes de Bollywood

Se deseja um dia morar na Índia? “Estou na Índia”, diz ela.

O Queens Market fica na Green Street, a rua comercial e de serviços do bairro. Serviços como uma biblioteca pública com livros separados por hindi, punjabi, gujarati, urdu, bengali e tamil, os idiomas mais falados no subcontinente indiano. 

Ou então, já mais para o lado de East Ham, o Boleyn Cinema, que só passa filmes de Bollywood. Para comprar um sari, lojas não faltam. Bijuterias indianas também não. Tampouco CDs com coletâneas perfeitas para um casamento memorável. Para a roupa da noiva ou dos convidados, basta entrar no número 368 e seguir até o fundo da loja.

As irmãs paquistanesas Sumaira e Tausifa Khan costuram sob medida um vestido ao estilo punjabi por apenas 15 libras. Há 15 anos no ponto, elas chegam a cerzir 90 vestidos por mês.

“As ocidentais procuram muito a gente quando têm um casamento indiano”, conta Sumaira.

Várias Índias em uma Londres

Ter um casamento indiano ou comprar um chicken tikka masala no setor de congelados do supermercado são parte da vida londrina. Desde o século 17, Londres é um lugar popular para os indianos. Começou quando a britânica East India Company obteve o controle da rota comercial entre os dois países. 

No começo do século 19, quando a Índia passou a ser de fato colônia inglesa, mais indianos chegaram a Londres. Por fim, a partir da década de 1960, os conflitos trouxeram mais gente de Bangladesh e Paquistão.  Hoje, entre nativos e descendentes, há quase meio milhão de indianos em Londres, cerca de 6% da população da cidade.  

Se entrarem paquistaneses e bengalis, a conta engorda. O lado bom de tudo isso é que existem várias – e não apenas uma – Índias em Londres, com todos os seus costumes e sabores. Whitechapel, no centro-leste, tem principalmente bengalis, paquistaneses e punjabis; Wembley, no Norte, é a capital da comunidade gujarati; Tooting Bec, no Sudoeste, reúne gente do sul (Tamil, Kerala e Sri Lanka); Southall é a capital punjabi, sikh e sindhi; enquanto a Green Street, em Upton Park, tem de tudo um pouco.

Brick Lane, a vitrine

Se há, no entanto, um lugar onde a Índia londrina virou atração turística é a Brick Lane, também conhecida como “Banglatown”. A ruazinha do bairro de Whitechapel já foi centro da vida dos mercadores huguenotes franceses no século 17, seguidos pelos judeus. Há 30 anos, virou bengali e, na virada do milênio, foi descoberta pelos descolados. 

Resultado: da parte da rua que vai de Whitechapel Road até a Hanbury Street, você está em Bangladesh, enquanto a segunda parte da rua, aos domingos, é tomada por um animado mercado, o Brick Lane Up Market, além de várias lojas descoladas e bares animados por gente jovem e moderninha.

Os poucos quarteirões bengalis da Brick Lane são tão intensos quanto a própria Índia. É possível encontrar de apetrechos decorativos para casamentos ao paan – a folha de betel, ou mamona, que eles recheiam de especiarias e mascam como digestivo. Detalhe: na mesma loja.

Há também comércio de estranhos doces indianos, de objetos litúrgicos muçulmanos – 90% da população bengali é islâmica –, a supermercados como a Taj Stores, uma das maiores casas de saris de Londres, a Modern Saree Centre, além da mesquita Jamme Masjid, que resume perfeitamente o espírito da rua. De capela protestante da época huguenote virou sinagoga e foi convertida em mesquita em 1976 (outra mesquita, a de Whitechapel, também é curiosa, pois fica grudada numa sinagoga). E, claro, os diversos restaurantes que renderam à Brick Lane seu outro apelido: Curry Lane. Mas não vá esperando nenhuma grande ou boa surpresa gastronômica por ali.

Curry com estilo

Para comer bem na região da Brick Lane é preciso pegar umas quebradas e ir ao Tayyabs. O restaurante hoje tocado por Wasin Tayyab começou há 30 anos com o pai, Mohamed, que chegou do Paquistão na década de 60 e abriu um pequeno café para servir comida simples aos trabalhadores das fábricas de tecido que funcionavam por ali. 

“No Banco Imobiliário, Whitechapel era o bairro que ficava por último”, brinca Wasin, que, juntamente com o irmão, expandiu os negócios do pai. Hoje o Tayyabs ocupa mais duas casas além da que abrigava a cafeteria original. Os pratos aqui são punjabis, cujas especialidades são os curries e kebabs – os churrascos.  Já para bons pratos bengalis na região, a dica é o Kolapata. 

Nem só de curry baratinho vive uma cidade com 187 bilionários de origem indiana – lista liderada pelo magnata Lakshmi Mittal, que perdeu 16 bilhões de libras com a crise financeira (mas ainda tem outros 16). Para uma experiência indiana chique, vá ao Tamarind, no sofisticado bairro de Mayfair. 

O restaurante perdeu este ano sua estrela no Michelin, mas o chef Alfred Prasad ainda leva os comensais ao nirvana com pratos como escalopes grelhados e paletas de cordeiro, dentre outras especialidades da região de Punjab. O chef-celebridade Gordon Ramsay é habitué. Outro indiano suntuoso é o Bombay Brasserie, em Kensington, que acaba de reabrir depois de uma reforma. O restaurante pertence à rede Taj Hotels e contempla a gastronomia de várias regiões do país. Mais intimista é o Rasoi Vineet Bhatia, pequena casa em Chelsea de Vineet Bhatia, primeiro chef indiano a ganhar uma estrela no Michelin, em 2001. Uma viagem à Índia cheia de estilo.

Beleza no subúrbio

Apesar de apenas 1% da população do Reino Unido ser hindu, é em Londres que está o maior templo fora da Índia. Shree Swaminarayan Mandir levou três anos, 2 820 toneladas de pedra-sabão búlgara e outras 2 mil de mármore de Carrara esculpidas na Índia para ficar pronto. De tão lindo, o templo parece completamente fora de contexto no feio subúrbio industrial de Neasden.

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