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China avança sobre infraestrutura e minérios da Amazônia: Brasil prepara licitação da Ferrogrão em meio a interesses geopolíticos

Ferrovia de 933 km ligará Sinop ao Pará e desperta atenção da estatal chinesa CCCC, que já atua em diversos projetos estratégicos no Brasil

O Brasil prepara para abril de 2026 a licitação das obras da Ferrogrão, ferrovia estratégica de 933 km que ligará Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA), criando uma rota direta para escoamento da produção do agronegócio pelo chamado Arco Norte. O empreendimento, no entanto, enfrenta entraves ambientais e jurídicos — inclusive uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no STF — por atravessar biomas sensíveis da Amazônia.

O que tem chamado ainda mais atenção, porém, é o interesse crescente da China no projeto. A gigante estatal China Communications Construction Company (CCCC) estaria de olho não só na Ferrogrão, mas também em outras ferrovias estratégicas brasileiras, como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, a Norte-Sul e o porto de São Luís (MA).

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China amplia influência sobre infraestrutura brasileira

Desde 2011, a China já investiu mais de US$ 66 bilhões no Brasil, principalmente em setores de infraestrutura e energia. Projetos como as hidrelétricas de Santo Antônio do Jari (PA) e São Manoel (MT), além do Corredor Bioceânico (ferrovia que conectará o Atlântico ao Pacífico), são exemplos claros dessa estratégia de avanço.

Segundo a CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China), o movimento faz parte de uma política de longo prazo de Pequim para assegurar logística e fornecimento de recursos naturais em todo o mundo.

O foco em minérios da Amazônia

Entre os maiores interesses chineses está o nióbio, metal estratégico usado em aplicações militares e de alta tecnologia, e presente em abundância no Amazonas. A própria CCCC comprou, em 2009, a Mineração Taboca, responsável pela mina Pitinga, uma das maiores minas de estanho do mundo — que também contém urânio.

Em 2024, o Brasil exportou para a China mais de 280 milhões de toneladas de minerais, o equivalente a 14 vezes mais do que para qualquer outro país. Especialistas alertam, no entanto, que o plano chinês vai além da compra de commodities: o objetivo seria operar diretamente na extração e controle das reservas.

Risco de dependência e perda de soberania

Analistas apontam que o Brasil corre o risco de se tornar dependente do capital chinês, abrindo mão de setores estratégicos em nome de investimentos imediatos. A preocupação gira em torno da soberania sobre a Amazônia, especialmente em áreas ricas em biodiversidade e recursos minerais.

“Não se trata apenas de vender minério, mas de permitir que uma potência estrangeira controle a extração. Isso tem implicações geopolíticas sérias”, alerta um pesquisador do setor mineral.

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