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Suspensão da vacina do Butantan revela irregularidades no SUS

Apesar da decisão, a Anvisa não cancelou o registro do imunizante.

Em 8 de junho, o Ministério da Saúde suspendeu a aplicação da vacina contra a dengue do Instituto Butantan, após meses de distribuição no Sistema Único de Saúde (SUS).

A suspensão ocorreu devido a 42 eventos adversos, sendo três graves, incluindo duas mortes sob investigação.

Apesar da decisão, a Anvisa não cancelou o registro do imunizante.

O ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirma que a suspensão aponta para uma falha mais abrangente, já que a vacina foi incorporada ao SUS sem seguir os procedimentos legais necessários. Queiroga destaca que o registro na Anvisa é apenas uma etapa inicial, ressaltando que após isso, qualquer vacina precisa ser aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), conforme a Lei 12.401/2011, que exige análise técnica e consulta pública antes da incorporação de novas tecnologias.

Conforme Queiroga, a vacina aprovada pela Conitec foi a da Takeda. Ele explica que as duas vacinas têm características distintas: a da Takeda requer duas doses, enquanto a do Butantan é de dose única. A Conitec deve avaliar evidências científicas antes de permitir que quaisquer vacinas sejam oferecidas pelo SUS.

Documentos oficiais corroboram as alegações de Queiroga. A Nota Técnica nº 8/2024, acessada pela revista Oeste, aborda a incorporação da vacina da Takeda, sem menção à vacina do Butantan, que possui um ensaio clínico distinto e foi publicada no New England Journal of Medicine.

Em novembro de 2025, a Anvisa aprovou a vacina do Butantan, e meses depois, o Ministério da Saúde iniciou sua aplicação com a Nota Técnica nº 11/2026, justificando que a tecnologia já havia sido incorporada ao SUS, com base na avaliação da vacina da Takeda.

Reconhecendo as diferenças entre as vacinas, o guia do Ministério da Saúde informa que ambas compartilham o mesmo código em sistemas de informação, criando complicações no monitoramento de reações adversas.

Queiroga defende que, embora o ministro possa incluir um produto no SUS, isso exige um procedimento administrativo formal, que não foi cumprido no caso da vacina da dengue do Butantan. Em maio de 2025, o então ministro Alexandre Padilha firmou acordos na China para a produção da vacina, algo que Queiroga considera impróprio para um laboratório público.

Durante esse período, Padilha foi anunciado como presidente de honra da China Hub Brasil, gerando questões sobre possíveis conflitos de interesse. Após a repercussão, ele desistiu do cargo.

O Ministério da Saúde, em nota enviada à Oeste, afirmou que a incorporação pela Conitec se refere à tecnologia de vacina tetravalente, independentemente de marcas ou fabricantes. No entanto, o ministério não respondeu sobre a avaliação específica da vacina do Butantan, a fundamentação legal para sua inclusão no SUS, ou as garantias de que eventos adversos não serão atribuídos à vacina errada.

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