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Proposta de fim da escala 6×1 ganha apoio de 53% da população

A pesquisa aponta que apenas 27% da população é contrária à redução dos dias de trabalho, enquanto o apoio a essa medida cresceu em comparação ao final de 2024.

A proposta de eliminação da escala 6×1 poderá ser votada no Congresso Nacional em breve e já conta com o apoio da maioria da população.

Um levantamento da Pnad Contínua, do IBGE, revela que cerca de 21 milhões de brasileiros trabalham além das 44 horas semanais estipuladas pela CLT.

Camara 22814/2026

A pesquisa aponta que apenas 27% da população é contrária à redução dos dias de trabalho, enquanto o apoio a essa medida cresceu em comparação ao final de 2024.

Dentre os trabalhadores, 53% atuam até cinco dias por semana, e 47% trabalham seis ou sete dias. Mesmo entre os que seriam diretamente beneficiados pela proposta, 68% dos que trabalham seis dias ou mais manifestaram apoio, embora esse número seja inferior aos 76% de apoio entre aqueles que trabalham até cinco dias.

O setor empresarial critica a proposta, alegando riscos de desemprego e impactos negativos na economia. Por outro lado, especialistas afirmam que a redução da jornada para 36 horas semanais poderia gerar até 4,5 milhões de novos postos de trabalho e aumentar a produtividade.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Mato Grosso, Henrique Lopes, defendeu a mudança como um passo essencial para modernizar as relações de trabalho no Brasil. Em entrevista, enfatizou a relevância dessa questão, ressaltando que a redução da jornada, sem diminuição salarial, é uma luta histórica da CUT e do movimento sindical.

A vida não é apenas trabalho; existem outras dimensões que precisam ser valorizadas. A redução da jornada possibilitará mais tempo para que as pessoas se dediquem à religiosidade, à família e à saúde, especialmente para mulheres que têm múltiplas responsabilidades,” afirmou Lopes.

Ele também destacou que a alta incidência de adoecimento ocupacional entre trabalhadores requer uma reestruturação do tempo de trabalho. Com o avanço tecnológico, como automação e inteligência artificial, é urgente que se promova um novo modelo.

Em relação às preocupações sobre os efeitos econômicos da mudança, Lopes argumentou que, historicamente, críticas semelhantes foram feitas sobre a adoção de direitos trabalhistas importantes, como 13º salário e férias remuneradas, e que essas previsões não se concretizaram. Para ele, a redução da jornada pode não só gerar novos empregos, mas também melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e aumentar a satisfação no trabalho.

O movimento sindical está em diálogo com parlamentares sobre essa questão, e mobilizações estão previstas em todo o país. Uma grande marcha em Brasília, planejada para 15 de abril, abordará o fim da escala 6×1 entre outras pautas. Também haverá interação com os trabalhadores durante as manifestações do 1º de maio, ampliando o debate sobre a jornada de trabalho no Brasil.

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