Brasil é o 5º no mundo em violência de gênero e requer ação urgente
O Brasil ocupa a quinta posição mundial em casos de violência contra a mulher, com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicando que, em 2025, o país registrou uma média alarmante de quatro mulheres assassinadas por dia — uma a cada seis horas.
Embora existam medidas como a Lei Maria da Penha, o Ministério da Mulher e delegacias especializadas, os resultados são lentos em um contexto marcado pela desigualdade de gênero. Desde a Grécia e Roma antigas, as mulheres foram historicamente colocadas como figuras secundárias, ainda que em sociedades reconhecidas por suas contribuições à filosofia e política.
No Brasil, as mulheres conquistaram o direito ao voto apenas na década de 1930 e, ao longo das décadas, entraram parcialmente no mercado de trabalho, muitas vezes limitadas a profissões no ensino, enquanto as responsabilidades domésticas permaneceram quase exclusivas a elas. Hoje, apesar dos avanços, persiste uma mentalidade que naturaliza a sobrecarga feminina e tolera relações abusivas.
A violência se manifesta não apenas fisicamente, mas também através do controle e do ciúme excessivo, que tentam restringir o direito das mulheres ao estudo, trabalho e empreendedorismo. Durante três anos, atuei como assistente social voluntária no projeto Justiceiras, criado durante a pandemia, quando os casos de agressão doméstica aumentaram. Mesmo após esse período, a demanda por apoio continua alta, sobrecarregando os serviços públicos existentes.
Em resposta a essa realidade, mulheres em todo o Brasil têm se organizado para fortalecer redes de apoio e ocupar espaços de expressão. Na literatura, grupos de escritoras estão amplificando vozes e narrativas femininas, seguindo as trilhas deixadas por autoras como Jane Austen e Clarice Lispector. Faço parte do coletivo Escreva Garota, que reúne milhares de mulheres em projetos literários e eventos, como a Rede de Mulheres Empreendedoras (RME), promovendo o protagonismo feminino.
Ao refletir sobre literatura e o universo feminino, é essencial reconhecer as narrativas historicamente escritas por homens. Um exemplo disso é ‘O menino maluquinho’, de Ziraldo. Em contrapartida, escrevi ‘Uma menina muito maluquinha – uma paródia divertida’ para mostrar que garotas também podem brincar livremente. Também produzi ‘Rimas do Aleatório’, que aborda a vida de uma mulher que evade os padrões sociais tradicionais.
Há uma cultura a ser transformada, e a literatura é uma ferramenta poderosa nesse processo. Juntamente com uma educação voltada à igualdade, pode ajudar a construir relações mais justas e livres de violência, baseadas no respeito mútuo.
Karin Földes é graduada e mestre em Letras, assistente social, neuropsicopedagoga e autora de ‘Rimas do Aleatório’.
Comentários estão fechados.