Endividamento das famílias brasileiras atinge 80,2%, o maior em 13 anos
De acordo com o estudo, 80,2% das famílias entrevistadas relataram ter alguma dívida, o maior nível desde o início da pesquisa em 2010.
O endividamento das famílias brasileiras alcançou um recorde histórico em fevereiro, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
De acordo com o estudo, 80,2% das famílias entrevistadas relataram ter alguma dívida, o maior nível desde o início da pesquisa em 2010.
Este índice representa um aumento de 0,7 ponto percentual em relação a janeiro e supera em 3,8 pontos percentuais o resultado de fevereiro de 2022.
A inadimplência também registrou um aumento, com 29,6% das famílias afirmando que possuem parcelas em atraso, interrompendo três meses de queda. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, atribui essa deterioração ao alto nível das taxas de juros. “Embora o crédito seja essencial para o consumo, o custo do dinheiro permanece proibitivo, criando um ciclo perigoso de dívidas que aumentam com juros altos, dificultando a amortização. Sem alívio consistente nos juros, a capacidade das famílias de regularizar suas dívidas fica comprometida, afetando o comércio e os serviços,” afirmou.
No quarto trimestre, a economia brasileira quase se estabilizou, com um crescimento de apenas 0,1%, encerrando 2022 com uma alta de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB). O Banco Central se reunirá na próxima semana para deliberar sobre a taxa básica de juros Selic, atualmente em 15%. A instituição indicou a possibilidade de cortes a partir de março, mas a situação se complica com a escalada de tensão entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Entre as modalidades de dívida, o cartão de crédito é o mais citado, com 85,0% das famílias endividadas utilizando este meio. Outras dívidas notáveis incluem carnês de loja (16,0%), crédito pessoal (12,3%), financiamento de casa (9,8%) e financiamento de carro (8,9%).
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