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IBGE aponta que 31% dos adolescentes em Mato Grosso bebem aos 13 anos

A pesquisa considera como consumo a ingestão de pelo menos uma dose completa de bebida alcoólica, não incluindo apenas a experimentação ou pequenas quantidades.

O consumo de bebidas alcoólicas entre adolescentes em Mato Grosso se configura como um grave problema de saúde pública.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que 53,4% dos estudantes de 13 a 17 anos no estado já experimentaram álcool pelo menos uma vez na vida.

Esse percentual coloca o estado próximo da média nacional, que é de 53,6%.

A pesquisa considera como consumo a ingestão de pelo menos uma dose completa de bebida alcoólica, não incluindo apenas a experimentação ou pequenas quantidades.

A experimentação do álcool ocorre precocemente na adolescência, com um aumento conforme a idade. No cenário nacional, o levantamento indica que o índice varia de 46,4% entre jovens de 13 a 15 anos até 66,3% entre aqueles de 16 a 17 anos. Em Mato Grosso, aproximadamente 31% dos adolescentes relataram ter tomado a primeira dose com 13 anos ou menos, evidenciando que o contato com o álcool antecede a idade legal.

Essa realidade preocupa especialistas, pois, segundo o IBGE, “a experimentação de substâncias na adolescência é preditora de abuso de substâncias, problemas de saúde, baixo desempenho escolar” e outros problemas sociais e psicológicos.

Embora tenha havido uma tendência de queda no consumo recente de álcool entre adolescentes, com o indicador nacional caindo de 28,1% em 2019 para 20,4% em 2024, em Mato Grosso, esse número se apresenta em 25,1%, superior à média nacional. Na capital, Cuiabá, 23,5% dos adolescentes afirmaram ter consumido bebidas alcoólicas nos 30 dias anteriores à pesquisa. O levantamento também revela que 60,1% dos estudantes não consumiram álcool nesse período, indicando que, apesar da presença do consumo, ele não é majoritário entre os jovens.

Adicionalmente, dados mostram diferenças por gênero: as meninas (23,5%) consomem mais do que os meninos (17,2%), mantendo uma tendência observada nos últimos anos.

Apesar da proibição da venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos, o acesso permanece relativamente fácil. A pesquisa aponta que 35,5% dos adolescentes conseguiram bebidas comprando diretamente em estabelecimentos comerciais, e em Cuiabá, 33,9% relataram obter álcool em mercados ou bares. Festas também são uma fonte comum de acesso, mencionadas por 20,4% dos jovens em âmbito nacional.

Fatores familiares contribuem para o consumo, uma vez que 61,5% dos adolescentes convivem com pais ou responsáveis que consomem álcool, proporção consistente com anos anteriores.

Apesar das reduções recentes, o IBGE destaca que o consumo de álcool na adolescência continua sendo um desafio preocupante. O uso da substância está associado a “distúrbios mentais e comportamentais, doenças, lesões resultantes de violência e acidentes de trânsito”. Comportamentos iniciados nesta fase tendem a persistir ao longo da vida, reforçando a necessidade de políticas públicas de prevenção direcionadas a esse grupo.

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