Portal 93
Com você onde você for.

EUA anunciam tarifa de 50% sobre carne bovina brasileira; setor produtivo teme colapso nas exportações

O governo dos Estados Unidos anunciou, no último dia 15 de julho, a imposição de uma tarifa de 50% sobre toda a carne bovina importada do Brasil, com início de vigência previsto para o próximo 1º de agosto. A decisão, comunicada pelo ex-presidente Donald Trump, gerou preocupação imediata em toda a cadeia do agronegócio brasileiro.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, a medida torna “impraticável” manter as exportações para o mercado norte-americano, que atualmente representa o segundo maior destino da carne bovina brasileira.

Camara 22814/2026

“Temos cerca de 30 mil toneladas de carne bovina já embarcadas ou paradas em portos, avaliadas em aproximadamente US$ 160 milhões. Esse cenário afeta diretamente uma cadeia que emprega cerca de 7 milhões de brasileiros”, afirmou Perosa.

Produção impactada e exportações paralisadas

Frigoríficos instalados no Brasil já iniciaram a suspensão e redirecionamento da produção voltada aos Estados Unidos. O impacto já é percebido nas compras internas de gado, que sofreram desaceleração significativa diante da incerteza sobre o destino da carne estocada.

A empresa Minerva Foods, uma das principais exportadoras do setor, suspendeu temporariamente sua operação dedicada ao mercado americano. A companhia estima que aproximadamente 5% de sua receita anual venha desse destino.

Reação do governo e tratativas diplomáticas

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo federal está atuando para tentar reverter ou adiar a aplicação da tarifa. O diálogo está sendo conduzido pelos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com apoio da equipe diplomática brasileira nos Estados Unidos.

“Estamos buscando entendimento técnico e diplomático com autoridades norte-americanas, diante do forte impacto bilateral que a medida representa”, declarou Alckmin.

Medida é vista como retaliação política

Especialistas em comércio exterior apontam que a decisão faz parte de uma série de tarifas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil, incluindo produtos como suco de laranja, cafeína e aeronaves. Embora a Casa Branca não tenha confirmado oficialmente os motivos, analistas indicam que a medida tem relação com o posicionamento geopolítico do governo brasileiro em temas sensíveis ao Ocidente.

Preocupações do setor e alternativas limitadas

Embora países como China, Emirados Árabes e Indonésia sejam potenciais substitutos no curto prazo, a escala e previsibilidade dos contratos americanos tornam a substituição difícil para os frigoríficos brasileiros. O temor no setor é de perdas bilionárias e de um efeito cascata em empregos e investimentos no campo.

A Abiec e outras entidades do agronegócio já organizam ações institucionais e jurídicas para mitigar os danos e pressionar por uma negociação mais favorável ao Brasil.

Comentários estão fechados.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja bem com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceito Leia Mais

Politica de Privacidade & Cookies