Descoberta genética da Embrapa promete tomates mais resistentes e produtivos
A Embrapa, em colaboração com a Universidade de Brasília e o Instituto Nacional de Investigação Agropecuaria do Uruguai, identificou um gene no tomateiro que confere folhas eretas, crucial para o controle de pragas e aumento da produtividade. Essa descoberta é um marco na biotecnologia agrícola, permitindo o desenvolvimento de novas variedades de tomate mais adaptadas ao clima e ao cultivo intensivo.
O estudo foi realizado a partir da observação de plantas com uma mutação natural na coleção de germoplasma da Embrapa, que apresentavam folhas eretas. A pesquisadora Maria Esther Fonseca explicou que, a partir de cruzamentos com plantas normais, foi possível mapear geneticamente e localizar o gene no cromossomo número 10.
Após identificar o gene, a equipe utilizou a tecnologia CRISPR-Cas9 para validar sua função, resultando na confirmação da mutação, que introduziu a característica de folhas eretas em plantas de folhagem normal. Leonardo Boiteux ressaltou a relevância desta validação em todas as etapas do processo, desde a observação no campo até a aplicação da edição genética.
A pesquisa não tem apenas aplicações no tomateiro. Boiteux mencionou que genes semelhantes foram encontrados em outras espécies como milho e pêssego, o que abre possibilidades de edição genética nessas plantas. A confirmação da função do gene estabelece uma base sólida para desenvolver cultivares de tomate adaptadas a sistemas de cultivo mais intensivos e eficientes, contribuindo para a segurança alimentar global.
Ademais, as folhas eretas promovem melhor distribuição da luz e conforto térmico, reduzindo a evapotranspiração e o estresse por calor. Isso se traduz na possibilidade de um maior adensamento de plantas por hectare, otimizando a produção agrícola, especialmente em tomateiros destinados ao processamento industrial.
Outro benefício da posição vertical das folhas é a facilidade no controle de doenças e pragas, como as moscas-brancas, que tendem a se concentrar na parte inferior das folhas. Uma pesquisa indicou que as plantas editadas apresentaram uma redução de até 2,5 vezes na presença desses insetos, favorecendo a eficiência dos métodos de controle.
Esses avanços evidenciam o potencial da integração de ferramentas genômicas modernas com métodos tradicionais de melhoramento genético, acelerando a evolução das culturas agrícolas visando à sustentabilidade e produtividade.
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