Portal 93
Com você onde você for.

Crescimento de 900% na entrega voluntária de bebês para adoção em MT

Embora o aumento não indique que mais mulheres estejam renunciando à maternidade, especialistas argumentam que os números refletem o maior acesso à informação sobre esse direito garantido por lei, além da expansão dos canais de acolhimento e orientação.

A entrega voluntária de bebês para adoção em Mato Grosso cresceu mais de 900% nos últimos anos, conforme dados do Poder Judiciário. O número de casos subiu de três em 2021 para 32 em 2023.

Embora o aumento não indique que mais mulheres estejam renunciando à maternidade, especialistas argumentam que os números refletem o maior acesso à informação sobre esse direito garantido por lei, além da expansão dos canais de acolhimento e orientação.

A entrega voluntária permite que gestantes ou mães que não podem exercer a maternidade encaminhem legalmente seus bebês para adoção, com acompanhamento da Justiça e sigilo garantido.

A juíza Anna Paula Sansão enfatiza que o procedimento é seguro e conduzido por profissionais qualificados. Segundo ela, a decisão de entregar a criança decorre de várias razões, sendo que muitas mulheres buscam a Justiça para encaminhar seu filho a uma família habilitada, em um processo legal e seguro.

O apoio dos profissionais é considerado fundamental para permitir que essas mulheres reflitam sobre suas decisões em um ambiente respeitoso. A psicóloga Patrícia Katz aponta que o acolhimento é crucial, pois proporciona um espaço livre de julgamentos. Muitas vezes, as mulheres tomam essa decisão com amor e preocupação, acreditando não ter condições de cuidar adequadamente da criança. Ela também observa que a falta de apoio e a pressão familiar podem intensificar o sofrimento enfrentado por muitas gestantes.

Os critérios para a entrega voluntária são definidos por lei, sendo este um processo sigiloso que garante a proteção da identidade da mãe. Essa entrega pode ser solicitada na gravidez ou logo após o nascimento, visando evitar abandonos e encaminhar as crianças a famílias aptas para adoção.

O Poder Judiciário também acredita que a maior divulgação sobre esse direito tem reduzido situações de abandono e entregas irregulares. A juíza Sansão ressalta que muitas mulheres anteriormente lidavam com o sofrimento sozinhas, sentindo medo de julgamentos. A disseminação de informações adequadas tem ajudado muitas a buscarem ajuda antes que ocorra o abandono ou situações irregulares.

A entrega voluntária deve ocorrer sob sigilo e com o suporte da Justiça e da rede de assistência social, garantindo assim a proteção do recém-nascido e apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade, assegurando decisões conscientes e amparadas pela legislação.

Comentários estão fechados.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja bem com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceito Leia Mais

Politica de Privacidade & Cookies