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Cotação do algodão em outubro cai ao menor nível desde 2009

Em outubro, o preço médio do algodão em pluma no Brasil alcançou o menor patamar desde outubro de 2009, quando ajustado pelo IGP-DI. Segundo o Indicador CEPEA/ESALQ, que considera pagamentos realizados em até oito dias, a média mensal foi de R$ 3,5176 por libra-peso, o que representa uma queda de 5,16% em relação a setembro de 2025 e de 12,7% frente ao mesmo período de 2024.

De acordo com pesquisadores do Cepea, a desvalorização da pluma está associada a uma combinação de fatores: o aumento expressivo da oferta nacional, a demanda enfraquecida no mercado interno e externo e a redução das cotações internacionais, agravada ainda pela volatilidade do dólar.

Camara 22814/2026

O Brasil colheu uma safra recorde de algodão em 2024/25, o que elevou significativamente os estoques disponíveis e pressionou os preços ao longo da cadeia produtiva.

No mercado spot, as negociações têm ocorrido de forma pontual e seletiva, já que muitos compradores aguardam novas quedas para retomar as aquisições em maior volume. Os produtores, por sua vez, estão mais focados nas operações de campo e no planejamento da nova safra de grãos, aproveitando o período de plantio para redirecionar recursos e esforços.

Apesar do cenário adverso, o Cepea observou uma maior movimentação de contratos futuros e a termo ao longo de outubro, especialmente envolvendo algodão das safras 2024/25 e 2025/26. Essa antecipação nas negociações reflete a busca por proteção contra riscos de preço e garantia de liquidez em um ambiente de incertezas econômicas globais.

Analistas do setor destacam que o desempenho do algodão brasileiro depende, nos próximos meses, do ritmo das exportações e do comportamento do câmbio. Caso o dólar volte a subir e a demanda internacional se recupere — sobretudo da China e de países asiáticos —, o mercado pode encontrar algum espaço para recomposição de preços. Ainda assim, o cenário geral permanece desafiador, com margens apertadas e necessidade de gestão eficiente de custos por parte dos produtores e indústrias têxteis.

Em síntese, outubro marcou um ponto de inflexão importante para o algodão brasileiro: mesmo com produtividade elevada e tecnologia avançada no campo, o excesso de oferta e a fraqueza da demanda global impuseram uma das maiores retrações de preço da última década e meia, exigindo estratégias mais cautelosas de comercialização e planejamento financeiro para o próximo ciclo.

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