O boletim Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) coloca Mato Grosso e 17 outros estados em alerta para síndromes respiratórias graves.
A situação é especialmente preocupante em Mato Grosso e Maranhão, com 13 estados apresentando tendência de aumento nos casos nas próximas semanas.
Além do Mato Grosso, estados como Acre, Tocantins, Bahia e Pernambuco estão em patamar de risco, segundo os registros das últimas semanas. Apesar do alerta nos estados, a tendência nacional é de estabilidade no longo prazo, com evidências de interrupção no crescimento ou até mesmo quedas nas ocorrências de infecções por influenza A e rinovírus, que juntos representaram mais de 70% dos diagnósticos positivos em infecções virais.
A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) surge quando os sintomas gripais, como febre, coriza e tosse, se agravam, levando à dificuldade respiratória e à necessidade de hospitalização. O gatilho mais comum é uma infecção viral, embora o agente causador nem sempre seja confirmado por exames.
Três das principais infecções que levam à SRAG podem ser prevenidas por vacinas disponíveis no SUS: Influenza A, Influenza B e Covid-19. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza está em vigor, priorizando crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos e gestantes. A vacina contra a covid-19 é recomendada para todos os bebês a partir de 6 meses e reforços periódicos são aconselhados para grupos vulneráveis.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e Programa de Computação Científica da Fiocruz, destaca a importância da vacinação como forma de proteção contra casos graves e óbitos. Ela recomenda que a população de maior risco e profissionais de saúde se vacinem o quanto antes. Portella também sugere que pessoas com sintomas gripais permaneçam em casa em isolamento ou usem máscaras caso precisem sair.
Até o momento, o Brasil notificou 31.768 casos de SRAG no ano, dos quais cerca de 13 mil tiveram resultados positivos para víruses respiratórios. Destes, 42,9% foram causados por rinovírus, 24,5% por influenza A, 15,3% por vírus sincicial respiratório, 11,1% por covid-19 e 1,5% por influenza B. O país também contabiliza 1.621 mortes por SRAG este ano, sendo 669 confirmadas laboratorialmente, com a covid-19 representando 33,5% das mortes, seguida por influenza A e rinovírus.