O crescimento do setor aéreo global está gerando uma escassez preocupante de pilotos no Brasil. A combinação de aposentadorias em massa, o tempo longo para formação e os efeitos da pandemia resultaram em um déficit crítico de profissionais.
A própria Anac já previa esse cenário para 2024, mesmo com mais de 17 mil pilotos habilitados no país. O problema é que, apesar de existirem cerca de 17 mil aeronaves (comerciais e de aviação geral), a balança entre oferta e demanda de mão de obra está cada vez mais desequilibrada.
Com a máxima de que avião parado gera prejuízo, as companhias estão sentindo no bolso a falta de tripulação.
E os impactos já chegaram diretamente ao passageiro. Só entre 2022 e 2024, o número de passageiros afetados por cancelamentos de voos no Brasil saltou de 1,3 milhão para 4,3 milhões — um crescimento de 231%. No verão de 2025, entre dezembro e janeiro, 207,7 mil passageiros foram impactados, um aumento de 279% em relação ao mesmo período do ano anterior. A falta de pilotos é um dos principais motivos por trás desse cenário, ao lado da escassez de peças de reposição e da alta demanda.
Além disso, a suspensão das operações da Voepass, em março de 2025, após falhas de segurança e um acidente fatal ocorrido em 2024, resultou no cancelamento imediato de 34 voos e afetou quase 1.900 passageiros.
Toda essa pressão no mercado está valorizando a profissão de piloto, hoje uma das mais bem pagas no Brasil e no mundo. Os salários variam de acordo com fatores como:
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Experiência: mais horas de voo significam maiores ganhos;
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Tipo de aeronave: aviões maiores e mais complexos pagam melhor;
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Companhia aérea: empresas grandes oferecem os melhores pacotes;
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Cargo: comandantes recebem bem mais que copilotos.
No Brasil, um piloto ganha entre R$ 6.500 e R$ 14 mil por mês, podendo ultrapassar R$ 30 mil em casos específicos, segundo o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias. Copilotos iniciam ganhando entre R$ 4.800 e R$ 5.200, enquanto comandantes recebem entre R$ 5.700 e R$ 10 mil.
A demanda deve crescer ainda mais nas próximas décadas. A Boeing estima que até 2042 serão necessários centenas de milhares de novos pilotos. O cenário é tão urgente que empresas dos EUA, Canadá, Turquia e Catar estão recrutando brasileiros.
Para tentar resolver o problema, algumas companhias estão criando seus próprios cursos de formação. Mas ainda é um desafio: formar um piloto leva tempo e exige investimento alto — entre R$ 110 mil e R$ 400 mil, dependendo da escola e das licenças.
A crise evidencia a necessidade urgente de investimento na formação de novos profissionais e reforço na infraestrutura do setor, para que a aviação brasileira acompanhe o crescimento sem comprometer segurança e qualidade.