A saúde mental dos adolescentes em Mato Grosso é motivo de preocupação, com 45,7% das meninas, entre 13 e 17 anos, admitindo a vontade de se automutilar.
Os dados, coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2024 a partir da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), foram divulgados na quarta-feira (25).
O médico de família e psiquiatra Werley Peres observa que a sociedade enfrenta a ‘quarta onda’ de doenças mentais após a pandemia. Peres explica que o aumento de casos de depressão e ansiedade em crianças e adolescentes é causado por fatores como bullying, excesso de exposição a telas, contextos familiares adversos e sedentarismo. Segundo ele, as automutilações geralmente não são tentativas de suicídio, mas uma maneira de aliviar a dor emocional ou o desespero enfrentado por jovens em sofrimento.
Em Mato Grosso, 34,1% dos alunos revelaram ter vontade de autolesão, superando a média nacional de 32%. Entre os meninos, a taxa é de 23,3%, enquanto entre as meninas chega a 45,7%.
A pesquisa também aponta que 21,5% dos estudantes acreditam que a vida não vale a pena ser vivida, com 29,2% das meninas e 14,5% dos meninos compartilhando desse sentimento. Além disso, 25,9% dos adolescentes sentem que ninguém se preocupa com eles, sendo 33,9% entre as meninas.
Peres alerta que muitos jovens que hoje estão no grupo de risco passaram pelo isolamento social durante o auge da pandemia, entre 2020 e 2021, e enfrentaram consequências mentais significativas. ‘Quantas crianças desenvolveram ansiedade? Quantas ganharam peso?’ O tratamento para saúde mental infantojuvenil é precário, especialmente considerando que 80% da população depende do Sistema Único de Saúde (SUS), conclui, ressaltando a necessidade de uma abordagem mais profunda sobre a crise que se instalou nas vidas dessas crianças.