Alta do dólar impulsiona mercado de soja no Brasil
Embora os preços na Bolsa de Chicago tenham recuado, as quedas não foram expressivas, permitindo que o cenário permanecesse favorável.
O mercado brasileiro de soja experimentou um aumento significativo na atividade nesta sexta-feira, com negócios aquecidos nas indústrias e nos portos. O dólar, que registrou uma forte alta, emergiu como a principal variável impulsionadora das cotações no mercado físico, segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado.
Embora os preços na Bolsa de Chicago tenham recuado, as quedas não foram expressivas, permitindo que o cenário permanecesse favorável.
Os prêmios no mercado têm se mostrado mais atrativos e, com o movimento do dólar, os produtores reativaram as vendas após um período de quase duas semanas de mercado mais estagnado. Silveira destaca que a diferença entre preços de compra e venda diminuiu, resultando em uma conta mais vantajosa que reenergiza o mercado.
No âmbito internacional, os contratos futuros de soja na Bolsa de Mercadorias de Chicago fecharam com queda, ampliando as perdas da semana. O ambiente global, caracterizado por aversão ao risco devido ao conflito no Oriente Médio, elevou o valor do dólar em relação a outras moedas, reduzindo a competitividade da soja americana.
Esse cenário se desenvolve em meio a uma ampla oferta global, impulsionada pela colheita da maior safra da história do Brasil. O mercado também está atento ao adiamento do encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, o que pode atrasar acordos comerciais e comprometer a recuperação das compras chinesas de soja americana.
As importações chinesas de soja dos EUA caíram 83,7% nos primeiros dois meses de 2025, totalizando 1,49 milhão de toneladas, enquanto as compras do Brasil aumentaram 82,7%, alcançando 6,56 milhões de toneladas, em comparação com 3,59 milhões no mesmo período de 2024. As importações da Argentina também cresceram, passando de 111,6 mil toneladas para 3,27 milhões.
Na Bolsa de Chicago, contratos com entrega em maio finalizaram a US$ 11,61 1/4 por bushel, com uma queda de 0,62%, enquanto julho fechou a US$ 11,76 1/2, recuando 0,57%. Entre os subprodutos, o farelo caiu 1,35%, custando US$ 328,00 por tonelada, e o óleo subiu 0,15%, alcançando 65,51 centavos de dólar por libra-peso.
No câmbio, o dólar comercial terminou o dia com uma alta de 1,81%, cotado a R$ 5,3117 para venda. Durante o dia, a moeda teve oscilações entre R$ 5,2337 e R$ 5,3237. Na semana, o dólar acumula leve queda de 0,1%.
Comentários estão fechados.