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Agropecuária pressiona desmatamento e Mato Grosso perde 26% da vegetação nativa, aponta MapBiomas

Estado é o segundo com menor índice de preservação da Amazônia Legal; expansão da pecuária e agricultura lideram conversões de florestas para uso produtivo

Mato Grosso perdeu 26% da vegetação nativa nas últimas quatro décadas, pressionado principalmente pela expansão da agropecuária. O dado faz parte do relatório anual do MapBiomas, divulgado nesta segunda-feira (15), que traça um panorama da transformação do uso da terra na Amazônia Legal entre 1985 e 2024.

Segundo o levantamento, Mato Grosso e Rondônia lideram as conversões diretas de vegetação nativa para uso agrícola no bioma amazônico. Em 1985, 80% da cobertura do estado era florestal, e apenas 7% estavam destinados à pastagem. Em 2024, o cenário é bem diferente:
Florestas ocupam agora apenas 54% do território,enquanto pastagens passaram a representar 23% da área.

Atualmente, Mato Grosso preserva 62% de sua vegetação nativa, o segundo menor índice entre os estados da Amazônia Legal — atrás apenas de Rondônia, com 60%.

Uso agropecuário cresceu mais de 400% na Amazônia

O relatório aponta que, em toda a Amazônia Legal, a área destinada à agropecuária cresceu 415% no período analisado. As áreas de pastagem aumentaram de 12,3 milhões para 56,1 milhões de hectares, um salto de mais de 355%.

Outros usos também avançaram sobre a vegetação nativa, como:

  • Mineração: de 26 mil hectares (1985) para 444 mil hectares (2024) — crescimento de 16 vezes.

  • Cana-de-açúcar em MT: de apenas 192 hectares (1985) para 124 mil hectares (2024).

Em 2024, a vegetação nativa cobria 381,3 milhões de hectares da Amazônia Legal, mas 15,3% do território já é ocupado por atividades humanas.

Amazônia perdeu 52 milhões de hectares de vegetação nativa

Entre 1985 e 2024, o bioma amazônico perdeu cerca de 52 milhões de hectares de vegetação nativa, uma redução de 13%. A maior parte da perda ocorreu em formações florestais, com um recuo de 49,1 milhões de hectares.

A expansão da soja continua sendo um fator significativo. Segundo o MapBiomas, mesmo após a Moratória da Soja, firmada em 2008 para evitar a conversão direta de florestas, a cultura responde por 74,4% das áreas convertidas para agricultura, especialmente em áreas previamente desmatadas para pastagens.

Apesar da moratória ter reduzido em 68% a conversão direta de florestas para soja — de 1,13 milhão para 361 mil hectares — a expansão indireta da cultura continua intensa, sobretudo em Mato Grosso, Rondônia e Pará.

Desafios para o futuro

O relatório evidencia que os compromissos ambientais firmados nas últimas décadas surtiram algum efeito na redução do desmatamento direto, mas também revela o crescimento contínuo da agropecuária sobre áreas previamente abertas. Segundo os pesquisadores do MapBiomas, o desafio agora é combinar produção agrícola com preservação ambiental, especialmente nos estados que mais impulsionam a economia do agronegócio.

O estudo completo está disponível na plataforma oficial do MapBiomas, com dados detalhados por estado e tipo de uso do solo.

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