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Nova geografia; Soja e milho redefinem o mapa de MT

Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE aponta que o cultivo da oleaginosa e a segunda safra do milho ocorrem em todos os 142 municípios de Mato Grosso.

A expansão da soja e do milho transformou municípios de Mato Grosso em polos econômicos regionais, alterando o mapa do PIB estadual e criando novas cadeias produtivas e centros urbanos.

O avanço da soja e do milho em Mato Grosso extrapolou as fronteiras das fazendas e redefiniu o tecido econômico do Estado: municípios que surgiram ou se expandiram com a sojicultura tornam-se hoje centros de comércio, serviços, indústria, tecnologia e logística, segundo dados do IBGE e apuração da série “Revolução Verde – 50 anos de inovação”.

Uma mudança que se reflete no PIB municipal

Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE aponta que o cultivo da oleaginosa e a segunda safra do milho ocorrem em todos os 142 municípios de Mato Grosso.

O ranking do PIB municipal de 2023, também do IBGE, evidencia a influência dessa expansão: embora Cuiabá mantenha a liderança com R$ 39 bilhões impulsionada por comércio, serviços e administração pública  a lista das maiores economias estaduais é amplamente marcada por municípios ligados ao agronegócio.

Cidades que viraram motores regionais

Rondonópolis aparece em 2º lugar (R$ 16,5 bilhões), com impulso da agricultura, logística e indústria de transformação. Em seguida figuram Várzea Grande (R$ 13,9 bi), Sorriso (R$ 13,7 bi), Sinop (R$ 11,7 bi), Primavera do Leste (R$ 8,5 bi), Lucas do Rio Verde (R$ 8,2 bi), Campo Novo do Parecis (R$ 7,9 bi), Nova Mutum (R$ 7,6 bi) e Sapezal (R$ 6,4 bi). Municípios como Sinop, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Nova Mutum, Campo Verde, Campo Novo do Parecis e Primavera do Leste são citados como exemplos claros dessa transformação.

Impactos econômicos e encadeamento produtivo

“Um hectare plantado movimenta uma extensa cadeia de valor”, afirma o professor Maurício Munhoz, da Unemat. Mesmo quando a agricultura representa parcela menor do PIB municipal, ela estimula comércio, transporte, armazenagem, serviços financeiros, máquinas, tecnologia, seguros, construção civil e arrecadação tributária. Segundo Munhoz, cerca de 100 dos 142 municípios mato-grossenses têm na cadeia produtiva da soja e milho suas atividades econômicas principais ou determinantes.

Em 2023, a agropecuária respondeu por 33,6% do PIB mato-grossense — quase seis vezes a média nacional de 5,6% —, informa o IBGE. Entre os segmentos que mais se expandiram “da porteira para a cidade” nas últimas décadas estão logística, comércio atacadista e varejista, construção, mercado imobiliário, instituições financeiras, agritechs, ensino superior e saúde privada.

Exemplos locais de verticalização

Lucas do Rio Verde ilustra a verticalização: referência em agroindustrialização, registrou aumento da arrecadação municipal de R$ 193 milhões em 2016 para R$ 853 milhões em 2025 — salto de 341% — e tem estimativa de R$ 980 milhões para 2026. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Danilo Messias, atribui o crescimento a investimentos em infraestrutura, pavimentação, educação e serviços públicos, além de projetos logísticos como a futura integração ferroviária e a duplicação da BR-163, que devem ampliar a competitividade e atrair novas agroindústrias.

Campo Verde também segue a tendência: com cinco indústrias de fiação e beneficiamento de algodão, responde por cerca de 6% da produção brasileira de fios de algodão, mostrando diversificação além dos grãos.

Exportações e dinamismo do mercado de trabalho

Sinop tornou-se um exemplo de dinamismo exportador e urbano: entre janeiro e maio de 2026 foi o terceiro maior exportador de Mato Grosso, com US$ 1,056 bilhão em vendas externas, atrás apenas de Rondonópolis e Sorriso. A soja representou US$ 877 milhões desse total; houve também crescimento nas vendas de milho, farelos e carne bovina, com alta de 57,1% frente ao mesmo período do ano anterior.

No mercado de trabalho, Sinop registrou saldo positivo de 2.467 empregos formais entre janeiro e abril de 2026, superado apenas por Cuiabá, e a abertura de 4.932 empresas no primeiro semestre — alta de 17% em relação ao ano anterior —, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Serviços especializados, logística, construção, alimentação e saúde impulsionaram a ocupação e a formação de novos bairros comerciais.

Limites e incertezas

Os dados mostram transformações claras, mas especialistas alertam para variáveis que podem alterar tendências: volatilidade dos preços internacionais, desafios logísticos ainda pendentes, investimentos públicos necessários e riscos climáticos. Essas incertezas influenciarão a capacidade de manutenção e ampliação dos ganhos gerados pela soja e milho em mato grosso.

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