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Trabalho escravo persiste: MT é 3º em resgates no Brasil!

Mato Grosso ocupa a terceira posição entre os estados brasileiros com mais resgates em condições de trabalho análogas à escravidão, com 6.153 relatores resgatados entre 1995 e 2024, segundo dados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas.

Apesar da Abolição da Escravatura no Brasil ter completado 137 anos em 13 de maio, o trabalho escravo ainda persiste. Pará e Minas Gerais lideram o ranking, enquanto a maioria dos resgatados em Mato Grosso não é natural do estado, indicando uma forte incidência de mão de obra de outras regiões e nacionalidades.

Állysson Scorsafava, procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT-MT), apontou que a falta de auditores-fiscais de trabalho limita as fiscalizações e as operações de resgate.

Ele comentou que, enquanto o número de resgates era elevado até o final dos anos 2000, especialmente no setor de cana-de-açúcar, as estatísticas flutuam com as mudanças na fiscalização.

Os principais setores em Mato Grosso onde os trabalhadores foram resgatados incluem:

  • Criação de bovinos (27,4%)
  • Fabricação de álcool (26,4%)
  • Cultivo de cana-de-açúcar (10,4%)

O procurador destacou que o conceito de trabalho análogo à escravidão foi ampliado para incluir jornadas exaustivas que afetam a saúde dos trabalhadores, mesmo que tenham liberdade de ir e vir.

Entre os trabalhadores resgatados em Mato Grosso, 71,5% são negros ou pardos, o que reflete um legado da escravidão, segundo Cristina Soares dos Santos, historiadora e pesquisadora das relações étnico-raciais.

Ela argumenta que a falta de políticas públicas após a Abolição criou um cenário de desigualdade, resultando em vulnerabilidade da população negra até os dias atuais.

Cristina destaca a complexidade da abolição, questionando o foco na figura da Princesa Isabel e defendendo o reconhecimento da luta dos escravizados.

Ela ressalta que os movimentos negros em Mato Grosso buscam justiça histórica, enfatizando a importância de datas que celebram figuras como Zumbi dos Palmares e Tereza de Benguela, em vez de um reconhecimento unilateral da trajetória abolicionista.

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