Saúde Mental: Afastamentos Disparam em 10 Anos
Nos últimos 10 anos, o Brasil enfrentou um aumento substancial no número de afastamentos temporários de trabalhadores por questões de saúde mental.
Em Mato Grosso, os transtornos ansiosos ocupam a 10ª posição neste ranking, atrás apenas de lesões e dores na coluna. Em 2024, o Ministério da Previdência Social registrou 64.802 benefícios por incapacidade temporária no estado, sendo que os problemas físicos, como fraturas e dores na coluna, ainda lideram. No entanto, 1.283 afastamentos foram motivados por transtornos ansiosos, destacando uma crescente preocupação com a saúde mental.

Apenas considerando os dados de saúde mental, Mato Grosso totalizou 4.362 afastamentos, com 2.486 desses relacionados a transtornos de ansiedade e episódios depressivos. Entretanto, não foram fornecidos dados regionais sobre onde ocorreram os maiores números de afastamentos.
Em nível nacional, os números a cada dez anos demonstram que os afastamentos por saúde mental mais que dobraram, saltando de 221.721 atestados em 2014 para 472.328 em 2024.
A professora Maria Aparecida Campos, doutora em psicologia, enfatiza que a ansiedade e a depressão são frequentemente os transtornos mais comuns e podem estar relacionados ao ambiente de trabalho. Factores como sobrecarga, metas abusivas e a falta de reconhecimento contribuem para um agravamento do quadro emocional dos trabalhadores.
Campo ressalta que um afastamento deve ser indicado por um profissional quando afeta as atividades cotidianas do trabalhador, algo que pode ser percebido por colegas e pela própria pessoa.
Ela também aponta que a aceleração do ritmo de vida pós-pandemia e as mudanças sociais e econômicas contribuem ainda mais para o estresse e sofrimento mental. A falta de tempo para adaptação a essas mudanças e o aumento da pressão no ambiente de trabalho são sinais preocupantes.
Para reverter essa situação, Campos destaca a necessidade de promover uma cultura organizacional que valore a cooperação e o respeito ao equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. “Criar um ambiente humanizado, que iniba práticas abusivas e dê voz aos trabalhadores, é crucial para a melhoria da saúde mental no trabalho”, conclui.
A nova Norma Regulamentadora 1 (NR 1), que entra em vigor em maio, exigirá que todas as empresas atentem à saúde mental de seus funcionários.
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