A crise na produção de soja em Mato Grosso se agrava com o aumento dos custos e a perda de rentabilidade das safras recentes.
Os altos custos dos arrendamentos, que estão em torno de 15,58 sacas por hectare, um aumento de 8,55% em relação às três últimas safras, dificultam o cenário no campo. Mesmo com uma leve queda projetada para a safra 2025/2026, os preços permanecem elevados para 2026/2027.
O presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo, explica que muitos produtores não conseguem custear o novo ciclo de produção e, por isso, tentam transferir o arrendamento para evitar prejuízos. Ele destaca que alguns até repassam áreas sem custo, apenas para aliviar o peso financeiro.
A situação se torna mais crítica devido à baixa rentabilidade das últimas safras. A expectativa de boa colheita em cerca de 450 mil hectares de soja e 300 mil de milho não se concretizou, resultando em uma quebra de quatro a cinco sacas por hectare.
Além disso, a venda da soja ocorreu com preços R$ 10 abaixo do ano anterior.
Na propriedade da família de Lauri Jantsch, os efeitos financeiros são evidentes. O atraso nas chuvas comprometeu parte do plantio do milho e, segundo Lauri, cerca de 30% da área pode ter perda de produtividade.
O aumento nos custos operacionais também é um desafio. A colheita foi prejudicada pelo excesso de chuvas, que elevaram os gastos com secagem dos grãos. O agricultor relata que em janeiro e fevereiro choveu quase 700 milímetros, resultando em grãos com umidade excessiva e custos elevados para secagem.
Esse cenário é fruto de uma combinação de dificuldades climáticas e econômicas, levando o setor agrícola a um novo ciclo de baixa rentabilidade. O impacto também é sentido na arrecadação municipal, prevista para ser 10,28% menor em 2026 comparado a 2025, segundo o prefeito Gilmar Wentz.
Diante dessa situação, produtores solicitam ações do governo, como renegociação de dívidas e ampliação do crédito rural. Frizzo ressalta que o setor precisa urgentemente de medidas que já foram aplicadas no passado e que estão sendo discutidas no Congresso, embora haja desafios para definir a fonte de recursos.