A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) expressa preocupação com a recente disponibilização de mais de 3,1 milhões de doses de vacinas contra clostridioses no Brasil, anunciada pelo Ministério de Agricultura e Pecuária (Mapa) em 15 de junho.
Apesar da importância do aumento da oferta, os pecuaristas em Mato Grosso continuam enfrentando limitações de acesso às doses.
A Comissão de Pecuária de Corte da Famato acompanha a situação desde abril e mantém diálogo constante com a indústria, entidades do setor e órgãos governamentais para buscar soluções para a escassez da vacina. Este imunizante é crucial para a prevenção de doenças infecciosas severas, como botulismo, tétano, carbúnculo sintomático e gangrena gasosa.
A declaração de Amarildo Merotti, coordenador da Comissão, é clara: “A liberação de novas doses é uma medida importante, mas observamos no campo que as vacinas ainda chegam em volumes reduzidos às revendas. Existem muitos pedidos pendentes e a demanda continua elevada. O pecuarista precisa ter acesso ao produto para manter o calendário sanitário do rebanho e isso ainda preocupa o setor”.
Merotti ressalta que, mesmo com os esforços do governo federal e da indústria, o abastecimento continua sendo gradual em várias regiões, inclusive em Mato Grosso. “Temos recebido relatos de que as doses chegam em pequenos lotes, insuficientes para atender toda a procura acumulada. O anúncio traz uma sinalização positiva, mas o mercado ainda não percebe uma normalização efetiva da oferta”, observou.
Outro ponto de preocupação são os altos preços das vacinas nos últimos meses. A Comissão de Pecuária da Famato informa que, além da escassez, o custo do imunizante quase dobrou em algumas áreas, aumentando os gastos dos produtores. Merotti enfatiza a necessidade de continuidade nas ações de ampliação da oferta nos próximos meses para regularizar o mercado e garantir a sanidade animal nas propriedades rurais.
“A pecuária brasileira conquistou um patrimônio sanitário reconhecido mundialmente. Portanto, é vital assegurar que os produtores tenham acesso aos insumos necessários para proteger seus rebanhos. O setor segue monitorando a situação e espera que a distribuição seja acelerada para que o abastecimento se normalize”, concluiu.
A Comissão de Pecuária de Corte da Famato continuará a monitorar o cenário em Mato Grosso e manterá o diálogo com os órgãos competentes e a cadeia produtiva, visando encontrar soluções que atendam à demanda dos pecuaristas.