A Organização Internacional de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO) foi oficializada em 16 de julho em Xangai, com a participação do Brasil, China, Rússia, Indonésia, Cazaquistão e outros países do sul global.
Segundo o Governo Federal, a iniciativa pretende orientar o desenvolvimento e a implementação das IAs “de forma benéfica, segura, ética, confiável e orientada ao ser humano”, além de facilitar o acesso às tecnologias ao redor do mundo.
O que é a WAICO e quem participa
A WAICO (World Artificial Intelligence Cooperation Organization) nasce com a proposta de criar um fórum multilaterais que articule normas e práticas para o avanço da inteligência artificial fora do eixo dominante das empresas norte-americanas. A cerimônia de fundação contou com a presença do secretário-geral da ONU, António Guterres, e, conforme reportou a agência Xinhua, a organização trabalhará em alinhamento com as diretrizes das Nações Unidas.
Por que isso importa
O setor de IA hoje é concentrado em empresas como OpenAI e Anthropic, dos Estados Unidos, que vêm lançando versões avançadas de modelos como GPT-5.6 e Claude Fable/Mythos 5. A formalização da WAICO representa uma tentativa de descentralizar o desenvolvimento e o acesso às IAs, promover ecossistemas abertos e reduzir assimetrias geopolíticas no domínio dessas tecnologias.
Contexto de segurança e governança
A preocupação com os riscos associados a modelos avançados levou a disputas recentes: autoridades americanas solicitaram restrições temporárias sobre a divulgação ou uso de certos modelos, citando riscos de segurança e alegações de possível acesso indevido por agentes estrangeiros. A WAICO surge, portanto, como alternativa para articular padrões e cooperação entre países que buscam maior autonomia e segurança em IA.
Implicações para o Brasil
Segundo o Ministério de Ciência, Tecnologia e Informação, o Brasil atuará na WAICO em temas de governança e cooperação tecnológica. O país já tem o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) em vigor, com previsão de investimento de R$ 23 milhões até 2028. Entre as metas constam a construção de um supercomputador capaz de processar grandes volumes de dados e treinar modelos de linguagem em português com base em dados nacionais, visando posicionar o país como referência regional em IA.
Limites e incertezas
O anúncio da WAICO não detalha cronogramas, mecanismos de financiamento ou regras específicas de interoperabilidade entre os países membros. A eficácia do acordo dependerá da capacidade de traduzir princípios em normas técnicas, governança de dados e práticas de segurança — e da disposição dos Estados e atores privados em cooperar efetivamente.
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Conclusão e próximo passo
A adesão do Brasil ao acordo internacional de inteligência artificial marca uma aposta na cooperação sul-sul e na busca por maior autonomia tecnológica. O caminho agora exige transformar compromissos em projetos concretos — supercomputação, dados em português e padrões abertos — e acompanhar de perto como a WAICO articulará sua relação com a ONU e com os grandes players privados.