O promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto expressou sua preocupação com a insuficiência de leitos neonatais durante uma visita técnica ao novo Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Ele ressaltou a falta de leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e de atendimento neonatal, qualificando a situação como uma grave falha em um hospital referência para gestação de alto risco.
Em audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Mattos enfatizou a urgência de ajustar a quantidade de leitos de UTI antes da inauguração do hospital, programada para o fim de
2025. “Não há UTI neonatal; um hospital dessa envergadura, que contará com apenas 20 leitos de UTI, não pode operar sem esses serviços essenciais”, advertiu em sessão realizada na última terça-feira (17).
O promotor ressaltou ainda que frequentemente recebe pedidos de ajuda de médicos e profissionais da Vara da Infância, que enfrentam desespero na busca por leitos para partos de alto risco. “Eles me ligam, desesperados, pedindo uma vaga. Recentemente, nasceram trigêmeos e não havia leito disponível. É evidente que um hospital desse perfil precisa ter leitos”, afirmou.
Além desses pontos, Mattos mostrou preocupação com a escassez de médicos geneticistas em Mato Grosso, mencionando de forma bem-humorada que apenas dois profissionais atuam na área e não podem se afastar, dada sua importância crítica para o estado. Sugeri também que o governo estadual considere assumir o Hospital Júlio Muller, da mesma forma que fez com o Hospital do Câncer e o Hospital Geral, dada a necessidade de ampliar os serviços de saúde no estado, que deve enfrentar um aumento populacional nos próximos anos.
A audiência, convocada pela Comissão da Saúde da ALMT, contou com a presença do presidente da Empresa Brasileira de Serviço Hospitalares (EBSERH), Ademar Arthur Chioro dos Reis, que junto ao deputado estadual Lúdio Cabral (PT) discutiu o futuro assistencial do hospital. Com um investimento de R$ 221 milhões, cuja entrega está prevista para o final de 2025, a nova unidade ocupará 58,3 mil metros quadrados e terá 300 leitos, sendo a maior estrutura hospitalar de Mato Grosso ao término das obras. A equipagem do hospital terá um custo adicional estimado em R$ 140 milhões.