Os avanços na edição genética estão aproximando a possibilidade de modificar o DNA de embriões humanos com um nível de precisão nunca alcançado. Embora a técnica já seja utilizada para tratar doenças genéticas em pacientes, especialistas afirmam que ainda existem desafios importantes antes que ela possa ser aplicada de forma segura para impedir a transmissão de doenças hereditárias às futuras gerações.
Atualmente, terapias de edição genética já são empregadas em tratamentos clínicos para doenças graves.
No entanto, essas intervenções não impedem que os pacientes transmitam as mutações genéticas aos filhos. Por isso, pesquisadores estudam a chamada edição da linhagem germinativa, que consiste em alterar o DNA de embriões humanos antes do nascimento.
Apesar do avanço das pesquisas, a prática continua proibida ou severamente restringida em cerca de 70 países devido aos riscos técnicos e às questões éticas envolvidas. Entre as preocupações estão possíveis alterações indesejadas no DNA e o uso da tecnologia para selecionar características físicas ou intelectuais dos futuros bebês.
Dois estudos recentes apontaram que uma técnica mais moderna, conhecida como edição de bases, conseguiu modificar o DNA de embriões humanos com maior precisão do que o método tradicional CRISPR-Cas9. As pesquisas utilizaram embriões doados para estudos científicos por pacientes submetidos à fertilização in vitro.
Uma das pesquisas, conduzida pela professora Kathy Niakan, da Universidade de Cambridge, investigou o papel do gene NANOG, considerado essencial para o desenvolvimento inicial do embrião. O estudo concluiu que a edição de bases reduz significativamente o risco de alterações cromossômicas indesejadas em comparação com técnicas anteriores.
Em outro trabalho, liderado por Dietrich Egli, da Universidade Columbia, pesquisadores editaram genes ligados ao controle do colesterol e à produção da hemoglobina fetal. Os resultados demonstraram que a tecnologia é promissora, mas ainda apresentou limitações, como alterações fora do alvo e o chamado mosaicismo, quando a modificação genética não ocorre em todas as células do embrião.
Especialistas ressaltam que esses estudos representam um importante avanço científico, mas estão longe de significar que bebês geneticamente modificados serão uma realidade imediata. Antes de qualquer aplicação clínica, ainda será necessário superar obstáculos técnicos, garantir a segurança do procedimento e ampliar o debate sobre seus aspectos éticos e legais.
Além do potencial para prevenir doenças hereditárias graves, os pesquisadores destacam que essas pesquisas ajudam a compreender melhor o desenvolvimento dos embriões humanos e podem contribuir para aperfeiçoar os tratamentos de fertilização in vitro, aumentando as chances de sucesso das gestações.