Mercado volta a cortar estimativa de inflação, que segue acima da meta

A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo — portanto, o mercado continua esperando que a inflação ultrapasse o teto de 4,5%.

Analistas consultados pelo Banco Central, reunidos no Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, 27, reduziram a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano de 5,15% para 5,12%.

A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo — portanto, o mercado continua esperando que a inflação ultrapasse o teto de 4,5%.

O que mudou na projeção macro

Além da estimativa de inflação 2026 revisada para baixo, o Focus trouxe alterações pontuais nas demais variáveis:

  • Projeção do IPCA para 2024 subiu ligeiramente, de 4,20% para 4,22%.
  • Expectativa para 2028 avançou de 3,78% para 3,80%.
  • PIB: estimativa de crescimento para 2026 manteve-se em 1,99%; para 2027 caiu de 1,65% para 1,60%; para 2028 permaneceu em 2,00%.
  • Selic: mercado projeta taxa básica em 14% ao ano ao fim de 2026, 12% para 2027 e 10,5% para 2028.
  • Câmbio: expectativa para o dólar em 2026 segue em R$ 5,20; para 2027 passou de R$ 5,28 para R$ 5,29; 2028 em R$ 5,30.

Contexto e sinais para a política monetária

Apesar da leve queda na projeção de inflação para 2026, o mercado mantém a expectativa de juros elevados até o fim do horizonte projetado: a Selic estimada em 14% ao ano reforça a necessidade, na visão dos analistas, de política monetária restritiva para ancorar expectativas. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa caiu de 14,5% para 14,25% ao ano; o próximo encontro está marcado para 4 e 5 de agosto.

Atividade econômica e câmbio

O Relatório Focus confirma projeções moderadas de crescimento para os próximos anos: o PIB deve ter alta de 1,99% em 2026, com desaceleração em 2027 e recuperação parcial em 2028. As previsões cambiais — dólar em R$ 5,20 para 2026 — sinalizam estabilidade relativa, mas com leve alta nas estimativas para 2027.

O que isso significa para famílias e empresas

Uma inflação projetada acima do teto da meta pressiona custos de empréstimos, reajustes salariais e preços administrados. Juros mais altos encarecem crédito e afetam investimento; por outro lado, a manutenção de expectativas de desaceleração do PIB indica crescimento fraco, que limita ganhos reais de renda.