Irã e EUA trocam ataques enquanto disputa por Ormuz se intensifica; entenda

Na terça-feira (14), o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou ter disparado mísseis balísticos contra uma base aérea dos Estados Unidos na Jordânia.

O conflito no estreito de ormuz escalou nesta terça-feira (14) com disparos de mísseis do Irã contra uma base aérea dos Estados Unidos na Jordânia e represálias americanas contra alvos iranianos, em uma sequência de ataques que ameaça o tráfego de petróleo e eleva preços globais.

Resumo dos episódios mais recentes

Na terça-feira (14), o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou ter disparado mísseis balísticos contra uma base aérea dos Estados Unidos na Jordânia.

Em resposta, as forças americanas realizaram ataques contra alvos iranianos que se estenderam por cerca de cinco horas, marcando a terceira noite consecutiva de ações militares.

Autoridades jordanianas relataram a intercepção de quatro mísseis que entraram em seu espaço aéreo vindos do território iraniano. A mídia estatal iraniana apontou feridos em ataques norte-americanos a várias cidades, enquanto o IRGC informou ter atingido “infratores” no estreito e exigiu a remoção de bases americanas do Reino Hachemita.

Impacto econômico e controle da rota estratégica

As hostilidades elevaram novamente os preços do petróleo: os contratos futuros do Brent ultrapassaram US$ 86 por barril, o maior patamar em quatro semanas, pressionando mercados e renovando temores de aumento da inflação global. Antes da escalada, cerca de 15 milhões de barris de petróleo e gás transitaram diariamente pelo Estreito de Ormuz, equivalente a cerca de um quinto do comércio energético mundial.

O presidente Donald Trump anunciou o restabelecimento de um bloqueio à navegação iraniana e propôs a cobrança de uma taxa de 20% sobre toda a carga que passe pelo estreito — plano que, a um cálculo aproximado, poderia gerar US$ 240 milhões por dia caso fosse aplicado. A agência da ONU responsável pela navegação declarou-se contrária a pedágios obrigatórios em rotas internacionais, afirmando ausência de base legal para sua imposição.

Acusações sobre ataques a navios e vítimas

Os Emirados Árabes Unidos comunicaram que mísseis de cruzeiro iranianos atingiram dois navios-tanque emiradenses na rota sul do estreito, em águas territoriais de Omã; um tripulante indiano morreu e oito ficaram feridos, segundo o ministério dos Emirados. A IRGC afirmou ter imobilizado dois superpetroleiros que ignoraram avisos, sem identificar formalmente as embarcações afetadas.

Dinâmica política e risco de escalada

Analistas regionais avaliam que, por ora, as ações se mantêm em limites controlados, com ambos os lados buscando vantagem negociadora para um possível acordo. “Duvido que os dois lados retomem uma guerra em larga escala… embora exista uma possibilidade real de que os iranianos exagerem na dose. O mesmo vale para Trump”, disse Yezid Sayigh, pesquisador sênior do Carnegie Middle East Center.

O episódio reacende dúvidas sobre a sustentabilidade de um acordo provisório firmado no mês anterior e sobre se ele conseguirá interromper um confronto que já prolonga impactos regionais e humanitários: segundo relatos, o conflito maior envolvendo Irã e aliados deixou milhares de mortos e milhões de deslocados, sobretudo no Irã e no Líbano.

Reações e medidas operacionais

O Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos EUA, anunciou que um bloqueio ao Irã entraria em vigor às 17h (horário de Brasília) desta terça-feira e se aplicaria a todo o tráfego de embarcações ao longo da costa iraniana. O Irã, por sua vez, afirmou ser o guardião do estreito e buscou estender sua autoridade sobre a passagem, propondo um sistema próprio de autorização e cobrança.