Futebol brasileiro em crise? Sequência de vexames, mesmo além da Copa, diz que sim

A somatória de resultados ruins desde 2022 evidencia problemas sistêmicos que ameaçam recuperar o prestígio histórico do país no esporte mais popular do planeta.

A eliminação precoce na Copa do Mundo de 2026 acelerou o reconhecimento de uma crise do futebol brasileiro não apenas da seleção principal, mas de estruturas formativas, do futebol feminino e da projeção internacional dos clubes.

A somatória de resultados ruins desde 2022 evidencia problemas sistêmicos que ameaçam recuperar o prestígio histórico do país no esporte mais popular do planeta.

A partir do ciclo iniciado em 2022, o futebol brasileiro acumulou resultados considerados vexatórios: eliminação precoce na Copa do Mundo de 2026  a pior campanha em 36 anos , fracassos em competições de base e oscilações no rendimento das equipes femininas e dos clubes em disputas intercontinentais.

Sequência de resultados que não foi isolada

O problema não se limita a um único episódio. As eliminatórias e torneios das categorias de base apresentaram recuos marcantes: em 2023 a Seleção sub-20 foi eliminada pela Israel por 3 a 2, em prorrogação; em 2024, a equipe sub-23 ficou fora das Olimpíadas de Paris após campanha fraca no Pré-Olímpico Sul-Americano; e, em 2025, a seleção principal registrou sua pior atuação histórica em Copas, caindo na fase de grupos.

Seleção feminina: sinais de queda e recuperação

A Seleção Feminina viveu um momento inédito de fragilidade ao ser eliminada na fase de grupos da Copa do Mundo de 2023. Ainda assim, houve reação: sob comando de Arthur Elias a equipe alcançou a final olímpica e conquistou mais um título da Copa América, ao mesmo tempo em que voltou a competir de igual para igual com potências como Espanha, Estados Unidos e Inglaterra.

Clubes: domínio continental, fracasso global

No plano sul-americano, clubes brasileiros mantiveram hegemonia na Copa Libertadores, vencendo a competição em sete edições recentes:

  • 2019 – Flamengo
  • 2020 – Palmeiras
  • 2021 – Palmeiras
  • 2022 – Flamengo
  • 2023 – Fluminense
  • 2024 – Botafogo
  • 2025 – Flamengo

No entanto, o desempenho em confrontos intercontinentais ficou aquém: nas últimas sete participações brasileiras em torneios mundiais, nenhum clube ergueu a taça — o Corinthians, em 2012, foi o último a conquistar o Mundial.

Desempenho brasileiro nos Mundiais de Clubes recentes

  • 2019 – Liverpool 1 x 0 Flamengo – vice-campeão
  • 2020 – Al-Ahly 0 (3) x 0 (2) Palmeiras – 4º
  • 2021 – Palmeiras 1 x 2 Chelsea – vice-campeão
  • 2022 – Al-Ahly 2 x 4 Flamengo – 3º
  • 2023 – Manchester City 4 x 0 Fluminense – vice-campeão
  • 2024 – Botafogo 0 x 3 Pachuca – quartas
  • 2025 – PSG 1 (2) x 1 (1) Flamengo – vice-campeão

Raízes da crise: escolhas, estilo e formação

Especialistas e observadores internacionais relacionam a crise do futebol brasileiro a um conjunto de decisões que alteraram a formação e o estilo. Há, segundo críticas externas, um movimento de aproximação a modelos europeus que tem impacto na identidade técnica do jogador brasileiro.

Ex-jogadores e comentaristas também apontam que muito talento sai precocemente do país: entre os 26 convocados por Ancelotti, por exemplo, 10 deixaram o Brasil antes dos 20 anos (Ederson, Douglas Santos, Marquinhos, Fabinho, Endrick, Gabriel Martinelli, Matheus Cunha, Raphinha, Rayan e Vinicius Jr.), alguns sem experiência profissional sólida em clubes brasileiros.

Reações e diagnóstico público

O debate ganhou espaço na mídia e entre formadores de opinião. Em 2024, o narrador Galvão Bueno afirmou que a Seleção precisava de mudanças gerais e de uma reorganização interna — diagnóstico que se intensificou após o desempenho de 2026. A avaliação aponta para a necessidade de combinar formação local, gestão esportiva e preservação de identidade tática.

O que falta para a recuperação?

Consertar a crise do futebol brasileiro exige ações coordenadas: revisão de políticas de formação de base, incentivos para manutenção de talentos no país em fases cruciais, aperfeiçoamento da gestão nos clubes e maior integração entre confederação, clubes e programas de desenvolvimento técnico. Os sinais de reação na seleção feminina mostram que mudanças são possíveis, mas dependem de estratégias constantes e alinhadas.