Israel enviou aos EUA um aviso apontando um suposto plano do Irã para atingir o ex-presidente Donald Trump.
A informação cuja origem exata não foi divulgada levou agências americanas a adotar medidas de proteção e reacendeu debates sobre a capacidade de penetração da inteligência israelense no aparato iraniano.
Como Israel pode ter obtido a informação
As autoridades israelenses não detalharam como chegaram ao alerta. Especialistas e fontes citadas pela cobertura do caso apontam três possibilidades prováveis: trabalho do Mossad, agentes infiltrados no Irã ou interceptações eletrônicas e cibernéticas conduzidas por unidades como a Unidade 8200 das Forças de Defesa de Israel.
Israel já demonstrou, no passado, capacidade operacional semelhante. Em 2018, agentes retiraram documentos do arquivo nuclear iraniano em Teerã; em 2020, o assassinato do físico Mohsen Fakhrizadeh foi atribuído por serviços de inteligência ocidentais a uma operação sofisticada ligada ao Mossad; e, em julho de 2024, a morte de Ismail Haniyeh, do Hamas, em Teerã, expôs um nível de penetração que surpreendeu analistas.
Exemplos recentes que ilustram a penetração
- 2018 — Apropriação do arquivo nuclear iraniano: retirada de dezenas de milhares de páginas e arquivos digitais.
- 2020 — Assassinato de Mohsen Fakhrizadeh, atribuído por agências ocidentais a um ataque complexo contra um cientista ligado ao programa nuclear.
- Julho de 2024 — Assassinato de Ismail Haniyeh em Teerã, ocorrido no complexo Neshat, administrado pela Guarda Revolucionária.
- Novembro de 2024 — Ali Larijani, assessor de Ali Khamenei, reconheceu em entrevista que a infiltração se tornou “muito séria”.
Decisão dos EUA e medidas tomadas
Relatos de mídia indicam divergências internas nos EUA sobre a credibilidade do alerta. Apesar de dúvidas em alguns círculos, o Serviço Secreto, o Escritório Militar da Casa Branca e assessores de segurança nacional optaram por medidas preventivas — entre elas a substituição do avião presidencial durante o retorno de Trump da Turquia — respondendo ao aviso israelense com cautela.
No cenário descrito por fontes, quando o alerta parte de Israel, autoridades americanas tendem a considerá-lo com elevado grau de atenção, dada a história de ações e infiltrações que o próprio governo israelense acumulou ao longo de décadas.
Raízes históricas e capacidades técnicas da inteligência israelense
A eficácia atual da inteligência de Israel tem raízes históricas: técnicas de infiltração e organização datam de movimentos de defesa anteriores à criação do Estado, como a Haganá (1920) e o Palmach (1941), além de influências de práticas britânicas de coleta de informação antes da ação. O Mossad, criado em 1949, e a Unidade 8200, responsável por interceptações e guerra cibernética, consolidaram essa tradição.
Especialistas citados pela imprensa também observam que a divulgação pública de operações ou vazamentos estratégicos faz parte de uma tática de inteligência: expor o grau de infiltração adversária pode minar a credibilidade interna do oponente e elevar a percepção de eficácia do serviço próprio.