O professor aposentado Abílio Fernandes Neto anunciou que a nova comissão pró-emancipação do campus da Universidade Federal de Mato Grosso, formada na última sexta-feira, projeta a criação de uma universidade independente em até dois anos.
A iniciativa, realizada na sede da Unesin, tem como objetivo estabelecer metas e prazos para o desmembramento do campus.
Abílio, que foi um dos principais articuladores da implantação do campus da UFMT em Sinop na década de 90, esclareceu que a participação da sociedade e das entidades é crucial para o sucesso do projeto.
Ele destacou que os processos para a formação da nova Universidade Federal do Norte, desmembrada da UFMT em Cuiabá, podem ser longos e burocráticos.
O primeiro pedido para a criação de um centro pedagógico em Sinop foi feito em 1981, e a autorização para o Instituto Universitário do Norte Mato-grossense (Iunmat) só foi concedida em 1992, com as aulas iniciando em 1994.
Atualmente, o campus da UFMT em Sinop abriga cerca de 3,5 mil acadêmicos em diversas áreas. O professor reiterou que a comissão deve realizar uma análise de mercado e concorrência, além de envolver a sociedade civil no projeto. A estrutura da comissão contará com representantes da prefeitura, da Câmara de Vereadores, da Associação Comercial e Empresarial de Sinop, entre outros, incluindo o docente Carlos Breda.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, José Pedro Serafini, enfatizou que a intenção é que a nova universidade tenha independência, orçamento próprio e uma maior oferta de cursos. No manifesto, as entidades envolvidas defendem que a emancipação facilitará a gestão institucional, a criação de novos cursos e a ampliação de pesquisas e parcerias estratégicas. Atualmente, a distribuição dos recursos encaminhados pelo governo é majoritariamente favorável ao campus de Cuiabá, com apenas 17,2% destinados a Sinop.
O prefeito Roberto Dorner afirmou que entregará o manifesto da comissão ao presidente Lula em uma audiência marcada para o dia 16 em Cuiabá.
A reitora da UFMT, Marluce Souza e Silva, que se manifestou contrária à emancipação, não respondeu aos pedidos de comentários sobre a formação da comissão.