Brasil se torna refém de uma guerra política com impacto interno e geopolítico

Conflitos entre STF, Bolsonaro e governo Lula escalam, enquanto relação com os Estados Unidos se deteriora em meio ao retorno de Trump. O país paga a conta.

O Brasil está, mais uma vez, no centro de uma espiral política que ameaça sua estabilidade interna e sua posição internacional. De um lado, o Supremo Tribunal Federal (STF), liderado pelo ministro Alexandre de Moraes, intensifica medidas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família. De outro, o governo Lula parece investir no confronto direto com o ex-presidente americano Donald Trump, arrastando o Brasil para o centro de uma encruzilhada geopolítica inédita.

Nesta terça-feira (23), Moraes proibiu Bolsonaro de conceder entrevistas, bloqueou bens e contas de Eduardo Bolsonaro e intimou os advogados do ex-presidente a se manifestarem sobre postagens que ironizavam o uso de tornozeleira eletrônica. A sequência de ações amplia o isolamento político do ex-presidente, mesmo que ele ainda não esteja formalmente preso.

O embate é político — e estratégico

Analistas interpretam os movimentos do STF como parte de um projeto de contenção política, diante do risco de radicalização. Já aliados de Bolsonaro enxergam censura e perseguição, reforçando uma narrativa de vitimização que ainda ressoa em parte do eleitorado conservador.

Diante disso, o entorno de Bolsonaro parece ter encontrado no retorno de Donald Trump um aliado estratégico para tensionar a relação do Brasil com o Supremo e com os Estados Unidos. O apoio implícito (ou explícito) ao ex-presidente norte-americano coloca o país em rota de colisão com interesses comerciais e diplomáticos importantes.

Conflito que custa caro

O “tarifaço” de 50% anunciado por Trump contra produtos brasileiros — incluindo insumos médicos, que podem ficar até 30% mais caros — é um dos primeiros reflexos dessa nova geopolítica de confronto. Empresários e diplomatas em Washington já alertam que a medida pode ser mantida, enquanto o Brasil, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, busca vias institucionais e reservadas para conter os danos.

Apesar disso, o Planalto vê no embate com Trump uma oportunidade de mobilizar apoio interno, reforçando a imagem de que o país é soberano e não aceitará interferências externas — nem da extrema-direita americana, nem das big techs que Bolsonaro tem como aliadas.

O Brasil se vê duplamente refém: de uma guerra jurídica e política interna, e de uma tensão internacional que pode comprometer relações comerciais estratégicas.

O que está em jogo?

Mais do que o destino de Bolsonaro ou a popularidade de Lula, está em jogo a governabilidade e o posicionamento do Brasil no cenário global. A falta de racionalidade política — tanto no plano interno quanto nas relações internacionais — pode isolar o país, prejudicar investimentos, desestabilizar o comércio e inflamar um eleitorado já cansado de narrativas de confronto.

Enquanto STF e Executivo travam batalhas, o Congresso assiste, a economia sente, e o cidadão paga.