Tensão entre EUA e China dispara dólar e provoca instabilidade nos mercados

 O economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, anunciou nesta segunda-feira (13) que o aumento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China resultou em uma maior aversão ao risco no mercado global. O dólar registrou uma alta superior a 2%, fechando a R$ 5,50, o maior valor em dois meses. Nesse mesmo período, o Ibovespa apresentou queda de 0,73% na sexta-feira e acumulou recuo de 2,44% na semana.

Segundo Benedito, o movimento reflete a busca dos investidores por ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro americano, diante da escalada de incertezas geopolíticas e comerciais. “O cenário atual reforça o comportamento defensivo dos mercados emergentes, que acabam sofrendo com a saída de capital estrangeiro”, destacou.

Pacote fiscal e cenário interno também pressionam o mercado

Além das tensões externas, o mercado brasileiro foi impactado por fatores internos, como o pacote fiscal apresentado pelo governo, a derrota da Medida Provisória 1.303 — que tratava de mudanças no programa de renegociação de dívidas — e a preocupação com o avanço das novas políticas de crédito. Esses elementos aumentaram a percepção de risco fiscal e reduziram o apetite dos investidores por ativos nacionais.

A queda do Ibovespa também foi acentuada pela desvalorização de ações de setores sensíveis a juros, como o varejo e a construção civil, além da volatilidade nas commodities, especialmente o petróleo e o minério de ferro.

Expectativa com indicadores econômicos

Para esta semana, o foco dos analistas está nos indicadores de serviços, comércio e atividade econômica no Brasil, que devem trazer pistas sobre o ritmo de recuperação interna. No cenário internacional, os olhares se voltam para a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) e do Índice de Preços ao Produtor (PPI) nos Estados Unidos — dados que podem influenciar as próximas decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed).

Economistas avaliam que, caso os números americanos venham acima do esperado, o Fed pode adotar uma postura mais conservadora, o que tende a manter o dólar valorizado e pressionar ainda mais as moedas emergentes, como o real.

“A combinação de incerteza global, tensão política e dados econômicos mistos cria um ambiente de cautela. O investidor busca proteção, e isso explica a força recente do dólar”, concluiu Benedito..