A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) alertou que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode resultar em um impacto de R$ 5,1 bilhões por ano em encargos e horas extras para a economia local.
O estudo leva em conta os setores de agropecuária, comércio, indústria, serviços e serviço público.
Em Mato Grosso, 96% dos mais de 16 mil estabelecimentos industriais são micro e pequenas empresas, que seriam diretamente afetadas pela medida.
A análise realizada pelo Observatório de Mato Grosso considera dois cenários: novas contratações ou pagamento de horas extras, ambos levando a uma redução significativa na produção.
Ao todo, a mudança poderia gerar a perda de mais de 155 milhões de horas de trabalho, comprometendo a competitividade e produtividade dos setores.
Dentre os impactos financeiros, a folha de pagamento poderia aumentar 9,92% no caso de novas contratações e 14,88% se o setor optar pelo pagamento de horas extras.
Isso se traduz em um acréscimo estimado de R$ 3,4 bilhões e R$ 5,1 bilhões, respectivamente.
Particularmente na indústria, a redução da jornada afetaria cerca de 167 mil trabalhadores, resultando em uma perda de 34 milhões de horas, com custos adicionais de R$ 1,2 bilhão por ano, se horas extras forem consideradas, ou R$ 800,31 milhões com novas contratações.
Os valores referentes às horas extras e novas contratações representam 3,26% e 2,17% do PIB Industrial de Mato Grosso, estimado em R$ 36,4 bilhões.
Os setores mais impactados seriam os de alimentos e frigoríficos, seguidos pela fabricação de biocombustíveis, constução civil e extração de minerais.
A Fiemt destaca que a redução da jornada deve ser discutida com cautela, dado que pode elevar os custos de produção e afetar a geração de empregos.
Além disso, em um cenário de baixa oferta de mão de obra, essa mudança pode complicar ainda mais a contratação de trabalhadores, prejudicando o crescimento econômico do estado.