Projeções de inflação para 2026 são novamente revisadas em alta

Apesar do aumento nas expectativas, a projeção ainda se mantém dentro da meta estipulada pelo Banco Central (BC).

As previsões para a inflação de 2026 foram elevadas pela segunda semana consecutiva, refletindo as tensões geradas pela guerra no Oriente Médio.

Apesar do aumento nas expectativas, a projeção ainda se mantém dentro da meta estipulada pelo Banco Central (BC).

A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que a inflação pode variar entre 1,5% e 4,5% sem que haja cumprimento da meta.

Em fevereiro, o aumento nos preços de transportes e educação resultou em uma inflação mensal de 0,7%, uma aceleração em comparação ao índice de janeiro, que foi de 0,33%. Entretanto, a inflação acumulada em 12 meses diminuiu para 3,81%, alcançando o menor índice desde maio de 2024.

As projeções para os anos seguintes mantêm-se estáveis, com inflação estimada em 3,8% para 2027 e 3,52% e 3,5% para 2028 e 2029, respectivamente.

O Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como principal ferramenta para controlar a inflação, atualmente fixada em 14,75% ao ano. Em sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, uma quantidade inferior ao corte anteriormente esperado de 0,5 ponto, devido ao cenário de instabilidade ocasionado pelo conflito no Irã.

Historicamente, a Selic atingiu 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006.

Essa taxa foi aumentada sete vezes entre setembro de 2024 e junho de 2025, permanecendo inalterada nas quatro reuniões subsequentes.

Na ata de janeiro, o Copom indicou o início de um ciclo de redução de juros, mas a comunicação mais recente expressou cautela em resposta às incertezas relacionadas ao Oriente Médio, indicando que ajustes poderão ser feitos caso necessário.

As expectativas dos analistas para a Selic foram ajustadas de 12,25% para 12,5% até o final de 2026.

As previsões para os anos seguintes apontam para reduções a 10,5% em 2027 e 10% em 2028, com expectativa de 9,5% para 2029.

Um aumento na Selic visa controlar a demanda aquecida, impactando os preços ao encarecer o crédito e estimular a poupança. Por sua vez, a redução da Selic tende a baratear o crédito, incentivando a produção e a atividade econômica, mas pode também desafiar o controle da inflação.

No boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a previsão de crescimento da economia brasileira para este ano foi ajustada de 1,83% para 1,84%. Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) permanece em 1,8%, enquanto para 2028 e 2029, a expectativa é de crescimento de 2% ao ano.

Em 2025, o crescimento do PIB foi registrado em 2,3%, apontando a expansão da economia em todos os setores, especialmente na agropecuária.

A previsão da cotação do dólar encerra em R$ 5,40 para o fim deste ano, subindo para R$ 5,45 em 2027.