Frigoríficos de Mato Grosso suspendem operações diante da incerteza sobre exportações; produtores enfrentam risco de prejuízo com gado pronto para abate
A imposição de uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira anunciada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já começou a gerar efeitos negativos no setor agropecuário de Mato Grosso. Nesta quinta-feira (10), frigoríficos em diversas regiões do estado iniciaram a suspensão temporária da compra de gado, o que gerou um clima de insegurança entre produtores rurais e entidades representativas da cadeia produtiva da carne.
Segundo o presidente da Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso), Oswaldo Pereira Ribeiro Junior, o anúncio da tarifa foi recebido com grande preocupação pelo setor. Ele afirma que os frigoríficos paralisaram as aquisições de animais para abate, aguardando definições sobre os desdobramentos da medida imposta pelo governo norte-americano.
“Os frigoríficos já fecharam a compra de gado. Não abriram. Estão esperando para ver o que vai acontecer. Essa notícia tem um impacto como se fosse um problema sanitário. Porque paralisa tudo, gera incerteza e coloca todo o setor em alerta”, declarou o presidente da Acrimat.
Mercado paralisado e risco de perdas
A suspensão das compras afeta diretamente os pecuaristas que já têm animais prontos para o abate. Sem mercado para vender, muitos produtores enfrentam o risco de prejuízos com custos de manutenção do rebanho e queda no valor da arroba. A situação tende a se agravar se a indefinição perdurar por mais dias.
A preocupação se estende à cadeia logística e de exportação. Mato Grosso é um dos principais estados exportadores de carne bovina do país e tem nos Estados Unidos um mercado relevante, especialmente para produtos de maior valor agregado. Com a nova tarifa, a competitividade do produto brasileiro naquele mercado é reduzida drasticamente, o que afeta diretamente a operação de frigoríficos exportadores.
Setor cobra respostas e articulação do governo
Diante do cenário, a Acrimat e outras entidades do setor produtivo cobram uma atuação firme do governo federal, tanto no campo diplomático quanto na busca por novos mercados compradores. Ações emergenciais como a ampliação de exportações para países asiáticos e árabes já estão sendo discutidas, mas demandam tempo e negociações complexas.
“Precisamos de respostas rápidas para evitar uma crise ainda maior. O produtor não pode arcar sozinho com as consequências de decisões unilaterais de outros países. É hora de proteger nossa cadeia produtiva e garantir que o gado continue circulando”, reforçou Oswaldo Ribeiro.
A medida adotada pelos Estados Unidos reacende discussões sobre a vulnerabilidade das exportações brasileiras frente a ações protecionistas e a necessidade de diversificação de mercados e estratégias comerciais.
Enquanto isso, o setor segue em compasso de espera — e os pastos de Mato Grosso, cheios de gado pronto para abate, viraram um símbolo da tensão que paira sobre a pecuária brasileira.