A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira, a Operação Aposta Perdida, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso investigado por lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de jogos de azar online.
A ação tem como principais alvos integrantes de uma mesma família.
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais, além de duas suspensões de atividades econômicas e o bloqueio de duas contas em redes sociais.
Também foram determinadas medidas de sequestro de cinco imóveis e quatro veículos, apreensão de quatro passaportes e o bloqueio de 10 contas bancárias, físicas e jurídicas, que somam cerca de R$ 10 milhões.
As ordens judiciais estão sendo executadas em Cuiabá, Várzea Grande e no município de Itapema, em Santa Catarina.
A investigação foi conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado, com apoio da Diretoria de Inteligência. Segundo a Polícia Civil, foi identificado um esquema estruturado de obtenção de recursos ilícitos por meio da divulgação e intermediação de plataformas de apostas online ilegais, popularmente conhecidas como “jogo do tigrinho”, que não possuem regulamentação no Brasil.
De acordo com as apurações, os investigados utilizavam redes sociais para promover os jogos, atraindo usuários com promessas de ganhos fáceis e elevados. O modelo apresentava características semelhantes às de uma pirâmide financeira, em que os lucros dependiam da entrada de novos participantes.
Entre os alvos estão pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo familiar, que seriam utilizadas para ocultar a origem dos valores obtidos de forma ilícita. O principal investigado é apontado como responsável pela articulação do esquema, atuando na movimentação financeira e na dissimulação dos recursos.
As investigações também apontam que o grupo utilizava empresas, movimentações fracionadas e aquisição de bens de alto valor para dar aparência de legalidade ao dinheiro. Foram identificados imóveis de luxo, veículos importados como BMW, Land Rover e Porsche além de outros patrimônios considerados incompatíveis com a renda declarada.
A Polícia Civil informou ainda que há indícios do uso de “laranjas”, empresas de fachada e transações simuladas para dificultar o rastreamento financeiro. Relatórios técnicos indicam movimentações milionárias, divergências fiscais e conexões com outras pessoas investigadas por crimes semelhantes, inclusive com possíveis vínculos internacionais relacionados a fraudes digitais.
O padrão de vida elevado dos investigados também chamou a atenção das autoridades. Mesmo com atividades econômicas formais de pequeno e médio porte, o grupo adquiriu, em curto período, bens de alto valor, realizou viagens frequentes e passou a ostentar nas redes sociais um estilo de vida considerado incompatível com a renda declarada.
A operação segue em andamento e busca aprofundar a coleta de provas, interromper a circulação de recursos ilícitos e responsabilizar os envolvidos.