Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram que Mato Grosso está entre os três únicos estados do país onde a população masculina supera a feminina.
No estado, são 101,1 homens para cada 100 mulheres.
As outras exceções são Tocantins, com 105,5 homens para cada 100 mulheres, e Santa Catarina, com 100,2.
No cenário nacional, porém, a realidade é diferente. A predominância feminina segue como padrão em praticamente todas as regiões do Brasil. Em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, a diferença se torna ainda mais evidente nas faixas etárias acima dos 60 anos, onde o número de mulheres é significativamente maior que o de homens. Dados do Censo de 2022 indicam que o país possui cerca de 104 milhões de mulheres contra 98 milhões de homens.
Especialistas apontam que fatores como mortes por causas externas — incluindo violência e acidentes —, que atingem mais os homens, além de uma maior atenção das mulheres à saúde, ajudam a explicar essa diferença. Historicamente, a proporção feminina já é maior no Brasil há anos. Em 2012, os homens representavam 48,9% da população, contra 51,1% de mulheres, índice que se manteve com pequenas variações ao longo da última década.
Embora nasçam mais meninos do que meninas — cerca de 3% a 5% a mais — essa vantagem masculina diminui ao longo da vida. A partir da fase adulta jovem, a mortalidade masculina mais elevada faz com que a população feminina passe a ser maioria, tendência que se intensifica com o envelhecimento da população.
No caso de Mato Grosso, características econômicas ajudam a explicar o cenário distinto. Atividades predominantes como o agronegócio e outros setores que tradicionalmente empregam mais homens influenciam diretamente na composição populacional.
Estudos também apontam diferenças no impacto social desses dados. Pesquisas indicam que mulheres tendem a viver mais e, em muitos casos, apresentam melhores índices de saúde ao longo da vida, especialmente na terceira idade, o que contribui para a maior presença feminina nas faixas etárias mais avançadas.