O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Rafael Mariano Grossi, alertou que a Organização das Nações Unidas (ONU) enfrenta o risco de se tornar irrelevante. A afirmação foi feita durante uma conversa com jornalistas em um seminário da entidade realizado nesta sexta-feira, 12.
Grossi é um dos quatro candidatos à sucessão de António Guterres no comando da ONU, cujo mandato termina ainda este ano, com a escolha do novo secretário-geral prevista para o próximo mês.
O diplomata argentino destacou que a ONU enfrenta dificuldades para responder aos desafios globais, o que torna essencial a recuperação de sua capacidade de influência. Ele assegura que a entidade se afastou de suas funções centrais e necessita de reformas para se manter relevante.
As declarações de Grossi ganham relevância por virem de um dos principais concorrentes à liderança da ONU. Ele argumentou que o sistema criado no pós-Segunda Guerra Mundial se mostra incapaz de lidar com a atual configuração geopolítica. Para ele, a ONU deve se adaptar às mudanças que ocorreram nas últimas décadas.
“É preciso reforma“, afirmou Grossi. “A ONU perdeu o foco; ninguém vai questionar isso. É preciso mudar isso. Há quase 200 instâncias e disputas burocráticas, como em governos. É necessário retornar ao realismo. O risco de a ONU se tornar totalmente irrelevante é muito grande.”
Grossi também defendeu uma atuação mais eficaz da ONU em questões de paz, segurança internacional e mediação de conflitos.
Com mais de 20 anos na diplomacia, Grossi lidera a Aiea desde 2019, monitorando atividades nucleares e fiscalizando acordos sobre energia atômica. Ele é considerado um dos nomes fortes para suceder Guterres, especialmente pela sua presença em negociações sobre o programa nuclear do Irã e sua atuação na Ucrânia durante a guerra contra a Rússia.
A advertência de Grossi ocorre em um momento de crescente questionamento sobre a eficácia da ONU em influenciar crises internacionais e facilitar acordos entre os países. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o “Conselho da Paz“, que atuaria como supervisor das Nações Unidas, colocando em discussão o papel da instituição em assuntos globais.