Novo Detector de Anticorpos Promete Revolucionar Diagnóstico de Encefalite na Amazônia

Pesquisadores de Mato Grosso estão desenvolvendo um ensaio imunoenzimático (ELISA) para detectar anticorpos contra o vírus da encefalite de Saint Louis (SLEV), uma doença ainda pouco diagnosticada no Brasil e que pode impactar significativamente a saúde pública. O vírus é transmitido por mosquitos do gênero Culex e pode afetar o sistema nervoso central, causando inflamação no cérebro, com sintomas que incluem febre, dor de cabeça e até mesmo convulsões e paralisia.

Esse projeto inovador está sendo desenvolvido no Laboratório de Imunologia e Biologia Molecular (LIBM) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Sinop/MT, sob a coordenação da doutoranda em Biotecnologia e Biodiversidade Ana Lucia Scarpin Ramos. O trabalho é financiado pelo Governo do Estado, através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT), no âmbito do Edital nº 004/2023-Doutorado com Produto Tecnológico.

A metodologia adotada envolve a clonagem e expressão da proteína NS1 recombinante do vírus, que é utilizada como antígeno em testes de ELISA para detecção de anticorpos IgG e IgM. Após a extração e amplificação do RNA viral via RT-PCR, a proteína NS1 é clonada em células de Escherichia coli, purificada e empregada em testes laboratoriais para avaliar sua eficácia.

Segundo Ana Scarpin, esses processos serão validados com amostras humanas, garantindo alta sensibilidade e especificidade. A pesquisadora enfatiza que o desenvolvimento deste teste diagnóstico pode revolucionar o monitoramento e o tratamento das arboviroses no Brasil, tornando-se uma ferramenta acessível para a saúde pública.

A equipe de pesquisadores já realiza, há mais de dez anos, vigilância humana e ambiental em Sinop e região, monitorando arboviroses e proporcionando um atendimento clínico mais eficaz, dada a semelhança dos sintomas. O teste de ELISA, uma técnica consagrada na detecção de antígenos e anticorpos, poderá facilitar de maneira significativa essa vigilância epidemiológica.

Ao final do projeto, o novo teste poderá ser incorporado à rotina de laboratórios públicos, melhorando a detecção precoce e reduzindo complicações nas arboviroses. Isso permitirá um manejo mais eficiente dos pacientes e fornecerá dados valiosos para a formulação de políticas públicas e ações de controle de saúde.