Mudança na tabela de frete do governo encarece contratos e preocupa setor em MT

O encontro contou com a participação de representantes da indústria, especialistas e entidades de âmbito nacional.

O piso mínimo do frete voltou a gerar debate no setor produtivo e foi alvo de críticas durante reunião do Conselho Temático de Infraestrutura e Logística (Coinfra), da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt).

O encontro contou com a participação de representantes da indústria, especialistas e entidades de âmbito nacional.

Segundo os participantes, a política tem elevado significativamente os custos logísticos, além de provocar insegurança jurídica e impactos diretos em contratos, investimentos e na execução de obras públicas.

O presidente do Coinfra e diretor da Fiemt, Alexandre Schutze, ressaltou que a forte dependência do transporte rodoviário no Brasil torna a situação ainda mais delicada.

Ele também destacou o receio das empresas diante das penalidades previstas, que podem chegar a valores elevados, além das dificuldades geradas em contratos já firmados.

Schutze defendeu a necessidade de diálogo entre os envolvidos. De acordo com ele, é fundamental considerar todos os lados desde a indústria até caminhoneiros e transportadoras  para construir soluções viáveis para o setor.

O vice-presidente da Fiemt, Gustavo de Oliveira, chamou atenção para os reflexos da medida nas contas públicas.

Conforme explicou, o transporte representa uma parcela significativa dos custos de obras, podendo chegar a cerca de 40%. Assim, reajustes no frete acabam impactando diretamente o orçamento.

Ele citou como exemplo a realidade de sua empresa, onde o valor por tonelada transportada subiu de R$ 25 para R$ 40 após a implementação do tabelamento.

Já o superintendente de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Wagner Cardoso, questionou a eficácia da tabela, destacando a complexidade do setor logístico no país.

Para ele, padronizar preços em um território com dimensões continentais e com milhares de tipos de cargas diferentes gera distorções e torna o modelo difícil de aplicar na prática.

A gerente de Desenvolvimento Industrial da Fiemt, Vanessa Gasch, apontou que houve aumento de até 6% no custo do frete apenas entre janeiro e março.

No entanto, ao comparar com os valores praticados em 2020, o crescimento acumulado chega a cerca de 80%, o que, segundo ela, tende a pressionar os preços e impactar a inflação.

Diante desse cenário, representantes do setor avaliam que os efeitos do tabelamento vão além da logística, atingindo toda a cadeia produtiva e refletindo diretamente no custo final dos produtos e serviços.