O mercado global de fertilizantes enfrenta um março turbulento, de acordo com análise da Scot Consultoria.
A intensificação do conflito no Irã, envolvendo Israel e Estados Unidos, impactou os preços internacionais de energia e, consequentemente, dos fertilizantes nitrogenados.
Para o Brasil, que depende fortemente do mercado externo, os efeitos são iminentes, uma vez que mais de 85,0% dos fertilizantes utilizados no país são importados.
Em 2025, foram importadas 45,5 milhões de toneladas desse insumo, conforme dados da Secex.
A China se consolidou como a principal fornecedora de fertilizantes do Brasil em 2025, superando a Rússia e o Canadá. Essa mudança ocorreu em meio a incertezas no fornecimento russo e a necessidade de diversificação de fontes, devido à guerra na Ucrânia. Com a alta nas cotações internacionais de petróleo, fretes, seguros e fertilizantes, o governo chinês decidiu manter restrições às exportações de seus fertilizantes, priorizando o atendimento ao mercado local até agosto deste ano.
Nos primeiros meses de 2026, a tendência de aumento na importação de fertilizantes da China foi notável, com um crescimento de 3,5% em fevereiro, mês a mês. Se essa taxa se mantiver, o Brasil poderá importar mais 6,1 milhões de toneladas até agosto, ao mesmo tempo em que as restrições chinesas elevam as expectativas de preços. Além disso, o fluxo de enxofre, essencial para a produção de fertilizantes, é afetado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, impactado pelo conflito no Irã, o que pode agravar a situação.
O cenário atual revela elevada volatilidade e riscos estruturais para o mercado de fertilizantes. A combinação de choques geopolíticos e a postura restritiva da China expõem a fragilidade da dependência externa do Brasil. A pressão sobre a oferta, aliada a uma demanda resistente, resulta em margens mais apertadas para os produtores, que precisarão planejar suas compras estrategicamente no curto prazo, até que a situação internacional se normalize.