Um novo regime terapêutico contra o HIV, baseado em um comprimido único de uso diário, apresentou resultados promissores em um estudo clínico internacional publicado na revista The Lancet. A pesquisa indica que a nova abordagem pode ser tão eficaz quanto ou até superior ao tratamento padrão atualmente utilizado.
O estudo envolveu 553 participantes de oito países, todos já em tratamento contra o vírus há pelo menos três meses.
Eles foram acompanhados por 48 semanas e divididos em dois grupos: um recebeu o novo comprimido experimental, enquanto o outro seguiu com o regime tradicional, que pode incluir de um a três medicamentos combinados.
A nova terapia reúne, em uma única dose diária, as substâncias doravirina e islatravir. Um dos diferenciais é que ela não utiliza os chamados inibidores da integrase (INSTIs), classe amplamente usada no tratamento atual, mas que pode apresentar perda de eficácia ao longo do tempo em alguns casos.
Ao final do estudo, 98,6% dos pacientes que utilizaram o comprimido experimental mantiveram a carga viral indetectável condição em que o vírus permanece controlado e não é transmissível. No grupo que utilizou o tratamento padrão, esse índice foi de 95,1%.
Especialistas avaliam que o principal ganho não está necessariamente na substituição das terapias atuais, mas na ampliação das opções disponíveis.
A possibilidade de um comprimido único também pode melhorar a adesão ao tratamento, reduzindo o risco de falhas no uso correto da medicação.
Apesar dos resultados positivos, o estudo apontou uma ocorrência um pouco maior de efeitos adversos no grupo que utilizou o novo regime. Ainda assim, isso não resultou em aumento significativo na interrupção do tratamento.
Pesquisadores ressaltam que análises mais amplas ainda são necessárias para avaliar completamente a segurança da nova abordagem.
Hoje, manter o HIV em nível indetectável é considerado um dos principais objetivos do tratamento, garantindo qualidade de vida ao paciente e eliminando o risco de transmissão. No Brasil, a maioria das pessoas em terapia já atinge esse estágio, reflexo do avanço das políticas públicas e da oferta de diferentes esquemas terapêuticos pelo sistema de saúde.
Embora os avanços sejam significativos, especialistas destacam que ainda não se pode falar em cura para o HIV. No entanto, a evolução dos tratamentos, com opções mais simples e eficazes, representa um avanço importante no controle da doença.