Mato Grosso ocupa a nona posição entre os estados brasileiros com mais registros de trabalho análogo à escravidão, conforme atualização divulgada pelo governo federal nesta segunda-feira (6).
A nova versão da chamada ‘lista suja’ lista empregadores que foram flagrados explorando trabalhadores em condições ilegais ou degradantes.
A pesquisa identificou sete empregadores de Mato Grosso no cadastro, colocando o estado atrás de Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Paraíba, que lideram o ranking. No total, a atualização acrescentou 169 novos empregadores ao cadastro, representando um aumento de 6,28% em relação à lista anterior. Dentre as novas inclusões, 102 são pessoas físicas e 67 são empresas, elevando o número total de nomes na lista para cerca de 613.
Entre os recém-adicionados estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD. Segundo o Ministério do Trabalho, os setores com maior número de inclusões foram:
- Serviços domésticos (23 casos)
- Criação de bovinos para corte (18)
- Cultivo de café (12)
- Construção de edifícios (10)
- Serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita (6)
Os novos registros resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em situação de exploração ou sob condições análogas à escravidão. Além disso, a atualização retirou 225 empregadores que regularizaram suas pendências após cumprir o prazo de dois anos no cadastro.
Os casos registrados na atualização ocorreram entre 2020 e 2025 em 22 estados. Minas Gerais lidera com 35 empregadores, seguido por São Paulo (20) e Bahia (17). Também foram incluídos estados como Pará, Santa Catarina, Maranhão, e Rio de Janeiro.
O caso da BYD surgiu após uma operação em dezembro de 2024, onde 220 trabalhadores chineses foram resgatados na construção de uma fábrica em Camaçari. Eles viviam em alojamentos precários e eram vigiados por seguranças armados, com passaportes retidos e impedições a descansos semanais.
O cantor Amado Batista também foi autuado em 2024, com duas ocorrências em propriedades rurais em Goianápolis, onde 14 trabalhadores foram identificados em condições irregulares. Esses casos foram oficialmente registrados após a conclusão dos processos administrativos.
A ‘lista suja’ é uma ferramenta periódica do Ministério do Trabalho e Emprego, visando transparência sobre empregadores que desrespeitam a legislação trabalhista ao submeter trabalhadores a condições degradantes ou de exploração.