Mato Grosso amplia produção de biodiesel em 15% e se consolida na liderança nacional

A projeção é que Mato Grosso ultrapasse o Rio Grande do Sul, atual líder nacional na produção.

As indústrias de Mato Grosso produziram aproximadamente 2,3 bilhões de litros de biodiesel em 2025, volume cerca de 15% superior ao registrado em 2024.

Com esse desempenho, o estado ocupa atualmente a segunda posição no ranking nacional de produção do biocombustível, conforme dados da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene em Mato Grosso (Unibio MT), entidade que representa o setor no estado.

Para 2026, a expectativa é de avanço ainda maior.

A projeção é que Mato Grosso ultrapasse o Rio Grande do Sul, atual líder nacional na produção.

O estado possui hoje a maior capacidade produtiva autorizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), estimada em 3,6 milhões de metros cúbicos, o equivalente a 3,6 bilhões de litros por ano.

Apesar disso, em 2025 apenas 64% dessa capacidade foi utilizada, indicando espaço significativo para crescimento.

De acordo com o presidente da Unibio MT, Henrique Mazzardo, a capacidade ociosa abre caminho para que o estado alcance a liderança nacional.

Segundo ele, caso haja ampliação de incentivos e políticas de apoio ao setor, Mato Grosso tem condições de aumentar ainda mais os volumes produzidos já nos próximos anos.

O desempenho da cadeia do biodiesel também representa forte impacto econômico.

A produção registrada em 2025, de cerca de 2,3 bilhões de litros, corresponde a aproximadamente R$ 14 bilhões em vendas do produto.

O diretor-executivo da Unibio, Alexandre Golemo, destaca ainda o valor agregado que a produção de biodiesel gera para a soja. Segundo ele, o processamento do grão — que inclui a fabricação do biocombustível, farelo e glicerina — pode elevar significativamente o valor da matéria-prima.

Enquanto uma tonelada de soja é avaliada em torno de R$ 2,7 mil, após o processamento industrial o valor total gerado pode chegar a R$ 4,7 mil, o que representa um aumento de cerca de 70% no valor agregado.

Atualmente, Mato Grosso conta com 16 usinas autorizadas a operar, responsáveis por cerca de 1,2 mil empregos diretos.

O impacto, porém, se estende para diversos segmentos da economia.

Dados do Observatório de Mato Grosso indicam que, para cada emprego direto no setor, são gerados 91 empregos indiretos e cerca de 200 empregos induzidos, ampliando os efeitos econômicos da atividade.

Outro ponto destacado pelo setor é a ligação da produção de biodiesel com a agricultura familiar, já que parte das matérias-primas utilizadas nas usinas deve vir desse segmento, conforme diretrizes do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB).

A soja continua sendo a principal matéria-prima utilizada, respondendo por 73,79% da produção.

Também são utilizados outros materiais graxos (13,89%), gordura bovina (6,76%) e outros insumos, como gordura de frango, gordura suína e óleo de algodão, que juntos representam 5,56% da composição.

Além do impacto econômico, o biodiesel também traz benefícios ambientais.

Segundo Golemo, o biocombustível contribui para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e fortalece a transição energética para fontes renováveis, além de integrar o agronegócio à matriz energética limpa do país. O crescimento do setor também estimula a instalação de novas usinas no interior, ampliando a geração de renda e reduzindo a dependência da exportação de grãos in natura.